Revista EXAME -
"Todos os que enxergavam uma luz no fim do túnel agora se dão conta de que essa luz é uma locomotiva que está indo em sua direção.” A frase do ministro das Finanças da Alemanha, Peer Steinbrueck, resume bem o momento da economia global. Os países desenvolvidos mergulharam na pior crise da história recente e a extensão dos problemas parece cada vez mais difícil de prever, pois não param de aparecer novas fissuras em setores importantes do sistema econômico. Os Estados Unidos, por exemplo, acabam de enfrentar uma espécie de “11 de setembro” do mercado financeiro. Nas últimas semanas, no espaço de poucos dias, o terceiro e o quarto maiores bancos de investimento americanos (Merrill Lynch e Lehman Brothers, respectivamente) foram tragados pela mesma enxurrada que já levou para o buraco várias instituições financeiras desde o estouro da bolha imobiliária. Outra companhia americana que parecia inabalável — a AIG, uma das maiores seguradoras no mundo — também baixou na UTI financeira depois de perder mais de 80% de seu valor em apenas um ano. Para socorrer a empresa, o Fed, o banco central americano, anunciou nos últimos dias um pacote de emergência estimado em 85 bilhões de dólares. As notícias apocalípticas aconteceram quase no mesmo momento em que a situação do outro lado do Atlântico começou a se agravar. O PIB dos 15 países que integram a zona do euro recuou 0,2% no segundo trimestre, o pior resultado desde a adoção da moeda única, em 2002. Nações importantes do continente, como Inglaterra, Espanha e Alemanha, vivem assombradas hoje pelo fantasma da recessão, e suas previsões de crescimento foram revisadas para baixo pela Comissão Européia. No Japão, os números recentes também são preocupantes, indicando a pior retração na atividade econômica em quase uma década.
O status da economia global, enfim, está situado em algum lugar entre o grave e o gravíssimo — e a verdade é que, hoje, ninguém sabe precisar exatamente onde. A cada semana, o time dos pessimistas parece ganhar mais adesões — e mais argumentos. A crise entre os países desenvolvidos, aliás, criou uma curiosa inversão histórica de papéis. Pacotes milionários de socorro do governo a empresas falidas, candidatos fazendo promessas populistas para cativar os eleitores preocupados com a queda na renda, tendência de inflação em alta e a sensação de que a administração da crise segue ao ritmo da improvisação. Se alguém congelado nos anos 80 acordasse no final desta primeira década do século 21, seria difícil fazê-lo acreditar que o quadro descrito acima não se referia ao Brasil. Pior ainda seria convencer a mesma pessoa de que esse cenário reflete a realidade atual dos Estados Unidos. Os tempos mudaram mesmo — e como. O Brasil hoje é visto como um modelo de nação que soube realizar avanços e consegue progredir, o que vem amenizando, pelo menos até este momento, o impacto negativo de um cenário internacional turbulento. Enquanto isso, a maior potência do mundo virou a imagem dos vícios do capitalismo moderno, como a ganância e a falta de controle do Estado sobre os excessos do sistema econômico.
Somente nos primeiros meses do ano, o governo americano já havia realizado três grandes e multibilionárias intervenções no sistema. Na primeira delas, ocorrida em março, o Fed ofereceu um crédito de 30 bilhões de dólares ao JPMorgan para a compra do Bear Stearns, outro gigante financeiro que ficou à beira da falência com o estouro da bolha imobiliária. Em julho, foi a vez de Henry Paulson, secretário do Tesouro, enviar um projeto ao Congresso para reforçar financeiramente a Fannie Mae e a Freddie Mac, as maiores empresas do mercado de hipotecas americano. Mais recentemente, como a situação das duas companhias continuava se deteriorando, o governo assumiu o controle das empresas e a disposição de gastar cerca de 200 bilhões de dólares para garantir sua recuperação. Na crise do Lehman Brothers, as autoridades de Washington também procuraram a todo custo evitar o pior desfecho, tentando encontrar nos últimos dias um comprador para o banco. A busca, como se sabe, foi em vão. Um dos candidatos à compra do Lehman, o Bank of America, desistiu do negócio para se concentrar na compra do Merrill Lynch, outro gigante ameaçado por insolvência. A aquisição foi fechada por cerca de 50 bilhões de dólares. Por sua própria natureza de operação, os fundos de hedge mais agressivos seriam os primeiros a se candidatar a uma compra do porte do Lehman Brothers. Fariam um bom dinheiro encampando um ativo a preço de liquidação e, ao mesmo tempo, ajudariam a apagar o incêndio na economia. Desta vez, porém, os bombeiros ficaram sem água. Eles não fizeram um lance sequer, pois o governo americano não ofereceu um lastro para garantir as perdas provocadas por surpresas desagradáveis que pudessem surgir nos balanços futuros do Lehman. “O Tesouro americano entendeu que jogar roletarussa com o sistema era a melhor opção. Logo saberemos se foram corajosos ou loucos”, escreveu o economista Paul Krugman, colunista do jornal The New York Times. A maioria dos analistas parece apostar na primeira opção e julgou importante que o governo americano comece — ainda que cautelosamente — a fazer com que os excessos cometidos no passado sejam pagos, como no caso do Lehman. Depois do pedido de concordata, parte dos ativos do Lehman acabou comprada pelo banco inglês Barclays, por 1,75 bilhão de dólares. “No curto prazo, a decisão do Tesouro americano de não socorrer o Lehman pode gerar turbulências, mas, no médio prazo, a decisão é salutar”, diz o economista José Alexandre Scheinkman, da Universidade Princeton. “Boa parte do que vivemos hoje decorre da decisão no passado de socorrer quase todos os bancos com problemas.”
ISSO NÃO SIGNIFICA, CLARO, QUE AS AUTORIDADES monetárias não tenham espaço para agir no intuito de controlar os ânimos. Logo após os mais recentes capítulos da crise financeira, os bancos centrais do mundo inteiro entraram em ação, injetando um grande volume de recursos nos mercados. O Fed iniciou a onda, colocando na praça cerca de 70 bilhões de dólares. Foi seguido pelo Banco Central Europeu (99 bilhões de dólares) e por seus pares asiáticos (17 bilhões de dólares). Considerando-se um momento de extrema volatilidade, como o atual, as reações do mercado podem oscilar de um extremo a outro em poucos dias, dependendo do desenrolar da crise. Depois do anúncio do pedido de concordata do Lehman Brothers, os investidores apresentaram uma interpretação bastante pessimista da situação. Na segunda-feira negra, Wall Street viveu seu pior dia desde os ataques terroristas de 11 de setembro. Na Europa e na Ásia, as quedas também foram muito fortes. “Não há nenhuma dúvida de que isso está perto de superar tudo o que já vimos, e ainda está longe de se resolver”, afirmou Alan Greenspan, ex-presidente do Fed.
Por serem os epicentros da crise, os mercados financeiros e imobiliários são os que acumularam as maiores perdas até agora. Segundo um estudo da Comissão Européia, os bancos de todo o mundo registraram nos últimos meses prejuízos de mais de 500 bilhões de dólares. No setor de construção civil dos Estados Unidos, estima-se que 557 000 trabalhadores tenham sido demitidos desde o final de 2006 até hoje — sendo que as maiores baixas estão concentradas no último ano. Na Espanha, onde essa área já teve reduzidos 20% de sua força de trabalho no passado recente, a previsão é que ocorram algo entre 600 000 e 800 000 novas demissões até o fim de 2009.
As restrições na concessão de crédito adotadas em vários países após o estouro da bolha imobiliária, somadas a problemas como um cenário de inflação mundial em alta e o atual clima de incerteza econômica, devem ter um impacto no consumo. Na primeira metade de 2008, por exemplo, o índice de confiança global do consumidor registrou queda de 94 para 88 pontos, de acordo com estudo realizado em 51 países pela empresa de pesquisas Nielsen. O indicador é baseado na opinião do consumidor sobre o mercado de trabalho, na situação de suas finanças pessoais e em sua disposição em gastar dinheiro. Três em cada cinco pessoas no mundo acreditam que seu país está atualmente em recessão. A nação que sofreu a maior baixa na confiança foram os Estados Unidos.
Há um consenso entre os principais especialistas de que o ciclo de crescimento mundial sofrerá uma interrupção. A situação é grave, mas não é sequer parecida com o pandemônio provocado pelo crash da bolsa de Nova York em 1929, como querem alguns críticos mais apressados. Segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI), a maioria das 50 principais economias do mundo apresentará uma redução em seu crescimento (veja quadro ao lado). Com isso, o ritmo de expansão da economia global, que em 2007 foi de 5%, irá decair para 4,1% em 2008 e 3,9% em 2009. Tecnicamente, o FMI define como recessão um crescimento mundial da taxa de 3% ou menos. Ou seja, mesmo diante das perspectivas ruins, a economia global ainda estaria longe da recessão. “O foco agora precisa ser o ano de 2009, que será muito difícil. Pode haver uma recuperação, mas ela não vai acontecer antes de 2010”, afirmou a EXAME Nouriel Roubini, professor de economia da Universidade de Nova York e ex-assessor da Presidência dos Estados Unidos durante o governo de Bill Clinton.
Existem dois cenários possíveis para o desdobramento da crise. Na hipótese mais aceita entre os especialistas, a economia global deve retomar o crescimento em 2010, cravando uma taxa de evolução próxima a 5%. Ou seja, ela se traduziria em dois anos de crescimento fraco e depois a vida retornaria ao normal. Essa crença está baseada na aposta de que os setores da economia que apresentam as maiores perdas devem iniciar uma recuperação ao longo de 2009. Uma estimativa feita por especialistas da Wells Capital Management, gestora americana de investimentos, mostrou que 94% da economia dos Estados Unidos cresceu 5% no ano passado, enquanto os problemáticos mercados de imóveis e de automóveis decaíram 20% no período. Dessa forma, acreditam os autores do relatório, o cenário recessivo pode se reverter caso esses setores comecem a reagir.
Os analistas mais pessimistas, no entanto, lembram que a atual crise tem demonstrado, ao longo dos últimos meses, uma capacidade de derrubar continuamente as previsões otimistas. “Os preços dos ativos continuam baixando, os prejuízos continuam crescendo e a taxa de desemprego acaba de marcar a maior alta dos últimos cinco anos”, afirma Paul Krugman. O principal temor do mercado — citado recorrentemente nas mesas de operações durante os dias mais tensos — é o da chamada “crise sistêmica”. Numa crise financeira sistêmica, a quebra de instituições importantes espalha pânico entre os investidores, o que gera um efeito dominó sobre o restante do mercado, colocando em risco o sistema como um todo.
Outro debate suscitado pela crise atual é sobre como ela irá atingir os países emergentes. Sabe-se que a economia mundial hoje depende menos do desempenho das nações mais desenvolvidas, o chamado grupo do G7. Mas é também verdade que, numa crise que assola gigantes como Estados Unidos, Japão e Europa, não há como o resto do mundo escapar incólume. No Brasil, o reflexo desse cenário já está sendo sentido (veja reportagem sobre a situação do Brasil frente à crise na pág. 22). No primeiro semestre, as exportações brasileiras diminuíram 4,5% para a Europa e 8,5% para os Estados Unidos. Mesmo assim, no período, as exportações totais do Brasil cresceram 28,4%. Os motivos da alta foram vendas acima da média para clientes da China, da América Latina e da África. Segundo as projeções do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, as exportações devem diminuir de ritmo nos próximos meses, mas, mesmo assim, o país deve fechar 2008 com alta de 22% nessa área em comparação com o ano passado. “Nem os Estados Unidos nem a Europa terão condições de aumentar a compra de produtos brasileiros por causa da crise mundial. Isso vai tornar nossas vendas externas mais dependentes de mercados como o da China”, afirma André Luiz Sacconato, economista da consultoria Tendências.
Um dos fatores que podem tornar menos ou mais penosa a travessia dos emergentes por este período turbulento de crise será o comportamento do gigante asiático. A exemplo dos demais países, a economia chinesa também sofrerá uma redução de crescimento — no caso, da taxa de 11,9% registrada em 2007 para cerca de 9% estimados para 2008. A dúvida é o que ocorre a partir de agora. “Antes da crise atual, já era esperada uma redução do crescimento do país. O problema é se houver uma desaceleração mais acentuada, abaixo de 8%”, diz Masamichi Adachi, economista sênior do banco de investimento JPMorgan em Tóquio, no Japão. A China depende muito das regiões mais afetadas — quase 40% das vendas externas vão para Estados Unidos e Europa —, e as exportações para essas regiões estão perdendo o fôlego. Se a tendência de queda no volume do comércio com o mundo rico continuar ao longo de 2009, espera-se que a China tente compensar vendendo mais a outros parceiros, em especial os grandes do mundo emergente. “A China já exporta volumes grandes para economias emergentes como o Brasil. Isso deve aumentar ainda mais daqui para a frente”, afirma Katherine Terrell, especialista em países em desenvolvimento da escola de negócios Stephen M. Ross, da Universidade de Michigan.
Além de buscar maior diversidade de parceiros comerciais, o governo de Pequim atua no momento para criar outros antídotos contra uma desaceleração mais forte de sua economia. Até pouco tempo atrás, as autoridades chinesas buscavam meios de refrear o consumo interno por causa do medo de a inflação sair do controle. Agora, a tática se inverteu. O inimigo número 1 passou a ser o crescimento econômico baixo — entendido como baixo, no ambiente chinês, qualquer cifra menor do que 8%. Após a segunda-feira negra dos mercados, o banco central da China cortou a taxa básica de juro de 7,47% para 7,2%. Foi a primeira vez que isso aconteceu nos últimos seis anos, e o movimento teve como objetivo estimular o consumo interno. Outra arma que o governo de Pequim tem em mãos é uma reserva de 2 trilhões de dólares. Um dos destinos de parte desse dinheiro já está decidido. Segundo reportagem do jornal The Washington Post, cerca de 180 bilhões de dólares serão usados para a construção de novos grandes projetos de infra-estrutura, priorizando a área devastada por um terremoto na província de Sichuan, ocorrido em maio. “Investimentos de grande porte dos chineses movimentam toda a economia mundial e beneficiam diretamente empresas brasileiras, como a Vale”, afirma Sacconato, da Tendências. “Geralmente, esses projetos de infra-estrutura demandam muitas commodities, e o Brasil é um dos grandes exportadores.”
Independentemente do prolongamento e do desfecho da crise, já é possível vislumbrar algumas mudanças inevitáveis no cenário mundial provocadas pelos percalços dos países desenvolvidos. Nos Estados Unidos, onde a economia virou o tema mais importante no debate na corrida presidencial entre o democrata Barack Obama e o republicano John McCain, começa a crescer um sentimento antiglobalização baseado na crença de que os estrangeiros estão roubando os mercados e os empregos dos americanos. Não por acaso, o candidato democrata, Barack Obama, fala em rever alguns dos acordos de livre comércio dos Estados Unidos, como o Nafta. Outra de suas bandeiras para tirar a economia do atoleiro é promover uma grande redução de impostos para a classe média. Com isso, o candidato democrata acha que as famílias poderiam voltar ao consumo. O republicano McCain fala também em promover uma reforma tributária. A diferença é que a mudança beneficiaria principalmente as empresas do país, com a adoção de uma redução gradativa da alíquota, dos atuais 35% para 25%.
SEGUNDO O TAX POLICY CENTER (Centro de Política Fiscal), um dos mais respeitados núcleos americanos privados de estudos e estatísticas sobre impostos, as propostas de Obama aumentariam o déficit fiscal dos Estados Unidos, adicionando 3,3 trilhões de dólares ao saldo da conta em uma década. As de McCain teriam um efeito ainda pior — 4,3 trilhões de dólares a mais no mesmo período. Falar no aumento do déficit das contas públicas nos Estados Unidos neste momento é uma coisa preocupante. O desequilíbrio deve saltar dos 160 bilhões de dólares registrados no ano passado para uma cifra próxima a 400 bilhões até o final deste ano (veja quadro na pág. 25). A estimativa é que, no ritmo atual, ele pode se aproximar de 500 bilhões de dólares em 2009. “Quase todos os políticos prometem mais do que podem entregar. Com Obama e McCain a coisa não é muito diferente”, afirma Ron Haskins, da Brookings Institution, um dos mais antigos centros de estudos independentes de Washington.
As lições da crise parecem estar sendo absorvidas mais rapidamente onde os prejuízos foram mais profundos — ou seja, no mercado financeiro. Um dos pontos em discussão é sobre o papel dos bancos centrais. Nos Estados Unidos, o Fed sofreu críticas por permitir a farra livre de crédito nos anos de ouro do mercado imobiliário. E também ganhou apupos quando realizou intervenções para favorecer instituições como as gigantes hipotecárias Fannie Mae e Freddie Mac. Ou seja, o Fed tomou vaias tanto por ser liberal demais como por ser intervencionista no momento em que injetou dinheiro para evitar uma crise sistêmica. Outro ponto que dá uma idéia da complexidade do problema é que outros setores da economia, ao ver a ajuda do governo ao mercado financeiro, também começaram a se dirigir a Washington de chapéu na mão, em busca de socorro. É o caso atual das Big Three de Detroit, como são conhecidas as montadoras Ford, GM e Chrysler. Segundo o jornal inglês Financial Times, elas estão pleiteando com o governo um socorro de 25 bilhões de dólares na forma de um empréstimo a taxas camaradas para reequipar as fábricas nos Estados Unidos. Por ora, o governo americano tem resistido.
Para muitos especialistas, o colapso de gigantes como o Lehman Brothers e o Merrill Lynch pode representar o fim da independência dos bancos de investimento. Baixada a poeira da crise, o Fed deve fechar o cerco, forçando essas instituições a elevar o grau de segurança e de transparência quanto ao lastro das operações, o que vai diminuir os lucros mas também o nível de incerteza sobre os ativos negociados. “Os reguladores parecem finalmente dispostos a fazer Wall Street pagar por seus erros”, afirmou o The New York Times, num de seus editoriais, após a segunda-feira negra. Muitos dos bancos que mais estão sofrendo agora, como o Merrill e o Bear Stearns, foram duramente criticados pela falta de controle de riscos e por criar produtos extremamente complexos, como os pacotes que juntavam hipotecas saudáveis com as contaminadas. “Ainda não se sabe exatamente o que virá, é o que todos estão discutindo neste momento. A questão é que, necessariamente, precisamos de uma regulamentação mais rígida”, diz Sérgio Vale, economista- chefe da consultoria econômica MB Associados. É improvável que a concessão de crédito barato volte a ser tão livre como no passado. Também o volume de empréstimos permitido às instituições financeiras — a chamada alavancagem — deverá sofrer algum tipo de restrição. Ou seja, o mundo certamente vai sobreviver a mais essa. Mas nunca mais será igual.