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Dá dinheiro emprestar para bancos

Os CDBs passaram a render mais que a maioria dos fundos DI e se tornaram a melhor opção na renda fixa para quem vai deixar o dinheiro aplicado por mais de um ano
Landov
Agência bancária no Rio de Janeiro: os juros pagos pelos CDBs vêm subindo desde o fim de 2007 em razão da crise internacional
 
Por Juliana Garçon  | 21.08.2008

Revista EXAME - 

Por mais que haja boas oportunidades de investimento na bolsa, é sempre bom manter a maior parcela de seu patrimônio em aplicações menos voláteis, como a renda fixa. Se até o ano passado a melhor opção nesse segmento era a caderneta de poupança — e seu parco retorno de 8% ao ano —, hoje existe uma alternativa bem mais atraente à disposição do investidor. Trata-se do Certificado de Depósito Bancário (CDB), um título de dívida emitido pelos bancos que rende juros ao investidor que o compra. Em razão da crise internacional, os juros dos CDBs vêm subindo desde o fim de 2007. “Com dificuldade de conseguir financiamento externo, os bancos precisaram captar mais via CDB e, por isso, elevaram as taxas pagas ao investidor”, diz Eduardo Jurcevic, superintendente executivo do Banco Real. Assim, esses títulos passaram a render, em média, mais que a maioria dos fundos DI — e alguns chegam a entregar retornos superiores à taxa básica de juro da economia, a Selic, algo que não ocorria no passado.

Hoje, a melhor opção de CDB, na opinião dos especialistas consultados por EXAME, é o pós-fixado, cujo rendimento varia de acordo com a oscilação da taxa Selic. “Como a tendência continua a ser de aumento dos juros ao menos até o início de 2009, para conter a pressão inflacionária, o investidor ganha se estiver num papel que se valorize com esse movimento”, diz Arthur Riedel, superintendente da área de produtos de tesouraria do Itaú. Os maiores rendimentos são pagos pelos títulos emitidos por bancos pequenos e médios — atualmente, as taxas variam em torno de 14% ao ano. O risco, porém, é mais elevado que o de um CDB emitido por algum dos grandes grupos financeiros do país. Se o banco que lançou o CDB quebrar ou der um calote nas dívidas, o investidor poderá ficar na mão — no máximo, ele receberá 60 000 reais, que são pagos pelo Fundo Garantidor de Crédito, um colchão de segurança mantido pelo Banco Central. “O sistema bancário brasileiro é sólido e, por isso, o risco de problemas é baixo, mas é bom não se esquecer do que ocorreu com o Banco Santos”, diz Otávio Vieira, diretor do Safdié Private Bank, lembrando a quebra da instituição comandada por Edemar Cid Ferreira, em 2004. “É preciso analisar os balanços dessas instituições ou contar com uma assessoria que faça isso para saber o risco real que se está correndo.”

Entenda o retorno

Apesar de os pequenos e médios remunerarem melhor o investidor, os CDBs de grandes bancos — cujo risco de calote é praticamente nulo — também oferecem retornos atraentes. A rentabilidade média é de 12% ao ano em termos líquidos. Nenhuma outra aplicação de renda fixa de baixo risco tem um rendimento tão elevado. Os fundos DI, por exemplo, que são concorrentes diretos dos CDBs por terem características semelhantes às desses títulos, vêm rendendo cerca de 9% ao ano depois de descontada a taxa de administração.

Isso significa que é hora de aposentar o DI e aplicar toda a parcela conservadora do patrimônio nos CDBs? Nem sempre. Os CDBs que rendem mais do que os fundos DI costumam exigir ou que o investidor tenha mais de 100 000 reais para colocar nesses títulos ou que ele deixe seu dinheiro aplicado por, no mínimo, um ano. “A liquidez diária tem um preço, e nem todo investidor está preparado para abrir mão dela”, afirma Rogério Betti, sócio da consultoria financeira Beta Advisors. Vender um CDB antes do prazo pode custar caro. O Santander, por exemplo, oferece um título que rende 12,5% ao ano caso o investidor fique com ele por três anos. Se sair em seis meses, a rentabilidade cai pela metade.

Investir num CDB é simples se o investidor for cliente do banco que emite o título que ele pretende comprar. Nesse caso, basta ligar para a instituição, informar o valor e o prazo da aplicação e autorizar o débito na conta corrente. Quem não é cliente, porém, pode ter de abrir uma conta no banco para conseguir fazer o investimento. Para aplicar em CDB, o investidor precisa se acostumar a um jargão típico do mercado financeiro para entender o rendimento desses papéis. A maioria dos bancos não informa a taxa efetiva que será paga pelo CDB, mas apenas seu retorno em relação ao CDI, os juros de mercado que variam de acordo com a Selic. “Apesar de ser um pouco complicada, essa denominação faz sentido, porque deixa claro que o retorno do papel depende da oscilação dos juros de mercado”, diz Rogério Betti. Para valer a pena, um título de um grande banco tem de pagar, no mínimo, 95% do CDI em termos brutos, o que equivale a 12%. Nas instituições pequenas e médias, segundo os especialistas ouvidos por EXAME, a taxa bruta deve ser de 100% do CDI, ou 13%.

Até quando os CDBs vão continuar pagando mais do que os fundos DI ninguém sabe. “Quando a crise internacional der uma trégua e a captação externa se normalizar, os bancos devem voltar a pagar menos que a Selic”, diz Sergio Manoel Correia, da LLA Consultoria de Investimentos. Enquanto isso não acontece, porém, vale a pena aproveitar as taxas elevadas.

OCDB é um título de dívida emitido pelos bancos que paga juros ao investidor que o compra. Pode ter liquidez diária ou um prazo definido de resgate, que geralmente varia de seis meses a três anos. O CDB pós-fixado é a melhor opção de investimento hoje, porque seu retorno varia de acordo com o juro de mercado, o CDI, que está em alta. Os maiores rendimentos são pagos pelos títulos de bancos pequenos e médios, mas as grandes instituições financeiras também oferecem retornos atraentes. Hoje, nenhuma outra aplicação de renda fixa de baixo risco tem uma rentabilidade tão elevada.

 
 
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