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É sempre bom olhar com ceticismo os acordos alcançados nas reuniões anuais do G8, a cúpula de líderes dos países ricos. Esses encontros são pouco mais que oportunidades para que se façam fotos dos dirigentes no mesmo local. Apesar desse histórico pouco entusiasmante, o pacto que os líderes assinaram neste mês em sua reunião em Hokkaido, no Japão, é o melhor que se poderia esperar. Eles acataram que é preciso agir e que as emissões dos gases que influenciam o clima precisam ser cortadas pela metade nos próximos 40 anos. Sim, o acordo foi vago e foi jogado para um futuro tão remoto que mal se pode dizer que seja um verdadeiro compromisso. Sim, o acordo nem sequer deixou claro se o corte será sobre os níveis correntes ou sobre os de 1990, como fora especificado em oportunidades anteriores. Por outro lado, é inegável que o pacto de Hokkaido prepara o caminho para negociações reais no próximo ano. E, é bom que se diga, nada mais poderia ter sido alcançado neste ano por causa das eleições nos Estados Unidos.
O mundo inteiro espera para ver quem será eleito presidente e que atitude ele e o novo Congresso tomarão em relação à mudança climática. Como os Estados Unidos são um dos dois maiores emissores de gases do mundo — o outro é a China, que assumiu a primeira colocação neste ano — e como o governo americano se recusou a ratificar o primeiro acordo global sobre o clima, acertado em Kyoto em 1998, seu posicionamento é crucial para alguma coisa ser feita. Conforme assinalou o presidente George W. Bush na cúpula do G8, o mesmo vale para a China e outros países em crescimento acelerado. Convidados para a cúpula como observadores de segunda classe, China, Índia e Brasil ficaram indiferentes ao acordo do G8, saudando sua existência, mas se recusando a assumir compromissos. Seu argumento é conhecido: já que os países ricos foram os emissores de quase todo o dióxido de carbono e de outros gases que agora estão aquecendo a atmosfera, eles é que deveriam arcar com o ônus de cortar emissões, e não os países mais pobres, que estão apenas acrescentando novas emissões enquanto se esforçam para escapar da pobreza.
Com essa movimentação, alguns analistas já concluíram que a chance de um plano global dar certo é muito pequena. O raciocínio parte da premissa de que, se a China não assinar o acordo, os Estados Unidos tampouco o farão. Quem chegou à essa conclusão com base no encontro do G8 no Japão se equivocou. A resposta chinesa na cúpula foi apenas uma jogada numa partida de pôquer. Por que mostrar suas cartas quando o jogo mal começou? A negociação formal deve ocorrer em Copenhague, em dezembro de 2009, num encontro da ONU. Mas a ação real acontecerá em Washington e Pequim, e em conversações informais entre as maiores economias do mundo. O que deve ser feito não é complicado (e é por esse motivo que as perspectivas de uma ação concreta sobre a mudança climática são muito melhores do que dizem os ambientalistas).