Revista EXAME -
Atual vice-presidente de programas internacionais do Cato Institute, localizado em Washington, nos Estados Unidos, o cientista político Tom Palmer é uma das mais respeitadas vozes do mundo a respeito do fenômeno da globalização.
1 - O que a globalização e o protecionismo têm a ver com o equilíbrio político entre as nações?
O melhor propulsor de paz entre as nações é a liberdade econômica. Os horrores do século 20 estão fortemente conectados ao protecionismo. Ele coloca os países uns contra os outros e substitui a amizade e o comércio por hostilidade e guerra. Já a globalização reforça o estado de direito e a democracia.
2 - Por que o maior grau de abertura da China ao comércio mundial ainda não trouxe democracia ao país?
O país vem se transformando rapidamente. E é a abertura para o mundo que está mudando a cena política e social da China. Lembre-se de que, há poucas décadas, foram mortas milhões de pessoas na chamada Grande Marcha — e o resto do mundo mal notou. Agora, a comunidade internacional está profundamente preocupada com questões como a repressão ao Tibete e os direitos trabalhistas dos operários chineses.
3 - Na atual campanha eleitoral americana, o candidato democrata, Barack Obama, já declarou que é a favor da manutenção de algumas barreiras agrícolas. Isso não é um retrocesso na era da globalização?
Por causa da insistência em manter políticas protecionistas para os produtos agrícolas, o governo americano e a União Européia têm sido, nos últimos anos, os principais obstáculos para a promoção de relações econômicas mundiais mais pacíficas. Com isso, eles prejudicam seus próprios consumidores, que acabam pagando mais caro pelos produtos, e negam os benefícios do livre comércio às pessoas de outros países.
4 - Qual o maior benefício do livre comércio?
Nações que adotaram o livre comércio tiveram aumentos na renda per capita, na expectativa de vida, na educação, na saúde. A liberdade para o comércio é o caminho para a prosperidade.
5 - Muitos analistas dizem que a globalização não leva necessariamente à prosperidade, pois faz com que o capital migre para onde a mão-de-obra é mais barata. Isso não é verdade?
Se fosse verdade, os países pobres da África estariam abarrotados de investimento estrangeiro. As boas leis são ferramentas mais eficientes para atrair o capital do que a mão-de-obra barata.
6 - Outra crítica freqüente que se faz à globalização é que as fronteiras nacionais ainda são muito importantes para os negócios. O que o senhor acha dessa visão?
A lei da gravidade funciona do mesmo jeito no Brasil ou na Argentina. As regras de economia também. Não há fundamentalmente nada de especial no comércio internacional que o diferencie economicamente do comércio através de fronteiras estaduais dentro do Brasil ou através de uma rua. Por isso, as fronteiras são irrelevantes para o comércio, exceto quando as decisões políticas as tornam relevantes.
7 - O senhor acha que o processo de globalização não merece nenhuma crítica?
Se globalização significa destruir obstáculos políticos para que as pessoas possam cooperar e comercializar livremente, então eu só posso ser incondicionalmente a favor dessa força.