Revista EXAME -
Em 2007, foram comercializados no Brasil 10,7 milhões de computadores — um recorde na história do país. Os micros de mesa responderam pela maior parcela desse total — 9,2 milhões de unidades. O restante coube aos notebooks (1,5 milhão de aparelhos). Em termos percentuais, porém, as vendas desses equipamentos cresceram cinco vezes mais do que as dos PCs de mesa em 2007. No ritmo atual, os notebooks devem assumir a dianteira do mercado até 2011, segundo projeções do IDC Brasil, instituto de pesquisa especializado em tecnologia. Não é à toa, portanto, que os aparelhos desse tipo representam as grandes vedetes hoje das empresas do setor. Uma das marcas que melhor souberam aproveitar essa tendência foi a Semp Toshiba Informática, cujas vendas de notebooks em 2007 cresceram quase 300%. Esse foi um dos fatores decisivos para o faturamento de 430 milhões de dólares registrado pela divisão de informática da companhia no período — 63,5% mais do que no ano anterior. A marca credenciou a Semp Toshiba Informática como a melhor empresa do ano da indústria digital.
Além de apostar no item que cresce no ritmo mais acelerado, a companhia realizou uma mudança decisiva no portfólio desses produtos, o que incluiu o reposicionamento de preços. Em 2007, a Semp Toshiba simplificou a configuração de seu notebook mais barato — o Celeron M440 —, levando à redução do preço do produto de 3 000 para 2 000 reais. Com isso, a Semp Toshiba conseguiu disputar em melhores condições o público de renda mais baixa, fatia de consumidores dominada por concorrentes como a paranaense Positivo. O Celeron M440 se tornou um dos campeões de vendas da empresa no ano passado. “As boas condições de compra oferecidas pelo varejo, aliadas aos preços mais acessíveis, impulsionados pela baixa do dólar e pela redução de impostos, transformam em realidade a disseminação dos notebooks, antes um produto ao alcance apenas das classes A e B”, afirma Reinaldo Sakis, analista do IDC Brasil.
O avanço das vendas de computadores no Brasil está mudando a configuração das receitas de marcas tradicionais da indústria, como é o caso da Semp Toshiba. Sua divisão de informática já representa 30% do faturamento total. O restante do resultado fica por conta dos produtos da área de entretenimento, como aparelhos de TV, DVDs e equipamentos de áudio. “Dentro de cinco anos, a divisão de informática deve se tornar a principal fonte de receita da Semp Toshiba”, afirma Afonso Antônio Hennel, presidente da companhia. A explosão das vendas de computadores portáteis é apenas a ponta de um imenso mercado potencial para os fabricantes de produtos de informática. Daqui a alguns anos, será comum o uso conjugado de diferentes plataformas, como o computador, o telefone celular e o media player (aparelho que reproduz músicas e vídeos). A Semp Toshiba espera tirar proveito dessa convergência tecnológica. “Nossa empresa é a única a atuar de forma sinérgica com informática e entretenimento. Isso certamente nos dá uma vantagem competitiva no mercado”, afirma Hennel.
Apesar do bom desempenho da empresa em 2007, Hennel se queixa da concorrência de produtos contrabandeados. De acordo com o IDC, o mercado paralelo respondeu, em 2007, por 46% das vendas de PCs no Brasil. Para Hennel, uma forma de combater o problema é concentrar a fiscalização nos distribuidores — e não no varejo, como ocorre atualmente. “O grande problema do setor é a ilegalidade. O Brasil está exportando empregos, pois grandes companhias internacionais aproveitam a fiscalização ineficiente nas fronteiras para inundar o mercado com produtos cerca de 30% mais baratos”, diz ele. “Sem pagar imposto, é fácil competir.”
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