Primeiro Lugar
| 26/06/2008
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exame
EDUCAÇÃO
Quero ser grande
O mercado de escolas de idiomas e de cursos de informática no país está agitado. A Wizard, maior grupo do setor, entregou uma procuração ao banco de investimento UBS para buscar redes menores para aquisição. O objetivo de Carlos Wizard Martins, o folclórico empresário que incluiu o nome da escola em seu próprio sobrenome, é aumentar o tamanho da empresa para abrir o capital no início de 2009. Nos últimos meses, a Wizard já comprou cinco grupos de escolas de idiomas, como a Skill. Agora a empresa está concluindo os detalhes de uma negociação com a rede de escolas de informática Easy Comp, que tem mais de 900 unidades no país e faturamento de 50 milhões de reais. A empresa não comenta os valores do negócio, mas comenta-se que a Easy Comp será adquirida por 15 milhões de reais. A Wizard continua analisando a compra de outros grupos de médio porte para fortalecer sua presença no país, principalmente nas regiões Sul e Sudeste. Atualmente, o grupo tem cerca de 2 000 unidades no Brasil e também nos Estados Unidos, no Japão e em Portugal. O objetivo é abrir o capital da empresa com pelo menos 3 000 unidades.
PETRÓLEO
Amado por quase todos
As investidas do empresário Eike Batista sobre técnicos graduados da Petrobras para ?a formação do time de sua companhia de petróleo, a OGX,?fizeram com que ele fosse visto como persona non grata por alguns diretores da estatal. Mas os funcionários dos demais escalões, ao que parece, não compartilham dessa opinião. A Petros, fundo de pensão dos empregados da Petrobras, comprou 48 milhões de reais em ações da OGX no bilionário IPO da petroleira ?de Eike, realizado em junho. ?Os diretores da OGX atenderam com prazer ?à encomenda da Petros, que havia reservado previamente um lote ?de ações, e os funcionários ?de Eike que ainda são pensionistas ?do fundo adoraram a aquisição. “Gostei de ver que eles estão cuidando bem da minha aposentadoria”, diz um executivo da OGX.
AVIAÇÃO
Uma nova rival para a Azul
Depois de comprar a mineira Total e de reforçar sua frota com cinco jatos Embraer 175, a Trip Linhas Aéreas, do empresário José Mário Caprioli, prepara-se agora para adquirir a Rico, principal companhia aérea da região Amazônica. Com a aquisição, a Trip amplia sua presença na Região Norte e fortalece sua posição de maior companhia regional do país. A amigos, Caprioli revelou que a compra dos jatos da Embraer é uma resposta à chegada da Azul Linhas Aéreas, do americano David Neeleman. Caprioli, que até agora operava apenas barulhentos aviões turboélice, vai usar os confortáveis jatos da Embraer nas rotas em que se sentir ameaçado pela Azul. A empresa de Neeleman também vai usar os aviões da Embraer.
CONSUMO
À espera dos turistas
A administradora de cartões Visa montou uma operação gigantesca para atender os turistas que visitarão a China durante a Olimpíada de Pequim. A companhia instalou 90 000 caixas automáticos e credenciou mais de 200 000 estabelecimentos comerciais em Pequim, Xangai, Hong Kong e outras quatro cidades do país. Com isso, a China passou a ter cerca de 10% de todos os caixas eletrônicos da Visa no mundo. “É um investimento que se justifica pelo tamanho do evento”, diz Fernando Sassone, vice-presidente de marketing da Visa para a América Latina e o Caribe.
AUTOMÓVEIS
Os pátios estão cheios
As vendas de automóveis continuam em alta e devem permanecer assim pelo resto do ano. Mas o setor já começa a sentir os reflexos do aumento da taxa de juro e da desconfiança que a alta da inflação provoca no consumidor. Os pátios de montadoras e concessionárias já estão mais cheios. No caso da General Motors, por exemplo, a média de carros em estoque subiu de 18 000 em abril para 25 000 em junho. A montadora passou a utilizar o terceiro turno de produção há dois meses, o que colaborou para o aumento da produção e do estoque. Nas concessionárias, a situação também mudou. Em duas revendas Volkswagen, os estoques, que demoravam cerca de 20 dias para ser vendidos, agora demoram 30 dias. Concessionários dizem que as vendas ainda não caíram, mas as margens de lucro foram reduzidas.
CURTAS
Desgovernança
O recente escândalo envolvendo a comercializadora de soja Agrenco, que resultou na prisão do presidente Antonio Iafelice, foi ?um duro golpe para os defensores da boa governança corporativa. Entre os conselheiros da empresa está José Guimarães Monfort, ex-presidente do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa. Monfort aprovou relatórios e transações da Agrenco sem fazer ressalvas. Procurado, Monfort não quis falar.
Homenagem ao rei
A destilaria escocesa John Walker and Sons vai lançar, em julho, ?uma série comemorativa de seu uísque mais exclusivo, o Johnnie Walker Blue Label. A edição especial, batizada de King George V, usará maltes especiais, alguns com mais de 70 anos. Apenas 25 garrafas chegarão ao Brasil, pelo preço de 1?500 reais.
MOTO
Dormindo com o inimigo
A Sundown, fábrica de motos e bicicletas que tem como principal acionista a problemática família Rozemblun, vai ganhar em breve ?mais uma concorrente. Em um mercado ?que vê uma invasão de marcas asiáticas, ?isso não seria grande novidade. O que surpreende é a origem da nova montadora, uma empresa 100% brasileira, já batizada ?de Tecway e com muitas semelhanças com ?a própria Sundown. A começar por um de seus fundadores, Cláudio Rosa, que detém 17% do capital da Sundown. Rosa estaria insatisfeito com a administração da empresa desde a saída de Antônio Romanoski da presidência, no início do ano, e teria decidido começar um novo negócio. No fim de junho, Rosa deixou a diretoria de operações da Sundown.
POLÍTICA
As faces de Serra
A aparente trégua entre o governador paulista, José Serra, e o ex-governador Geraldo Alckmin, selada com a indicação do segundo para disputar a prefeitura de São Paulo pelo PSDB, não passou de estratégia de Serra. Em uma reunião na noite anterior à convenção do partido que decidiu a candidatura de Alckmin, Serra disse a tucanos que apóiam a reeleição do prefeito Gilberto Kassab que Alckmin se fortaleceria no partido se fosse impedido de disputar a prefeitura. E afirmou que agora trabalhará pela derrota de Alckmin, seja a favor de Kassab ou da petista Marta Suplicy. Kassab e os tucanos Walter Feldman e Aloysio Nunes Ferreira gostaram do que ouviram.
Números
| Na contramão da inflação |
| Os preços de eletrodomésticos e de eletroeletrônicos estão em queda no Brasil. A combinação de dólar baixo com aumento de escala de produção e evolução tecnológica levou ao barateamento de vários produtos.Veja a variação média em relação ao ano passado: |
| TV de LCD(1) | -33% |
| Notebook | -31% |
| Forno de microondas | -20% |
| Computador de mesa | -19% |
| Refrigerador | -16% |
| Lavadora de roupas | -10% |
| Mesmo assim, o brasileiro ainda paga mais caro que os vizinhos. No Chile, os produtos custam cerca de metade (preço médio em dólares) |
| TV de LCD(1) |
| Brasil | 1727 |
| Argentina | 1630 |
| Chile | 848 |
| Notebook |
| Brasil | 1397 |
| Argentina | 1227 |
| Chile | 831 |
| Forno de microondas |
| Brasil | 197 |
| Argentina | 179 |
| Chile | 80 |
| Computador de mesa |
| Brasil | 711 |
| Argentina | 522 |
| Chile | 506 |
| Refrigerador |
| Brasil | 740 |
| Argentina | 640 |
| Chile | 400 |
| Lavadora de roupas |
| Brasil | 461 |
| Argentina | 441 |
| Chile | 285 |
| (1) Modelo de 40 polegadas |
| A culpa é do imposto... |
| A principal vilã da diferença de preços no Brasil e nos países vizinhos é a carga tributária (impostos em relação ao PIB) |
| Brasil | 36% |
| Argentina | 29% |
| Chile | 19% |
| ...e da competição menos acirrada |
| O número de marcas presentes no Brasil é menor que na Argentina e no Chile, o que faz com que a concorrência aqui seja mais branda (número de marcas disponíveis no mercado) |
| TV de LCD |
| Chile | 33 |
| Argentina | 23 |
| Brasil | 16 |
| Refrigerador |
| Argentina | 38 |
| Chile | 26 |
| Brasil | 12 |
| Forno de microondas |
| Chile | 33 |
| Argentina | 30 |
| Brasil | 21 |
| Lavadora de roupas |
| Argentina | 35 |
| Brasil | 28 |
| Chile | 18 |
| Fontes: GfK (instituto de pesquisa alemão especializado em bens duráveis) e BPT |
Marcelo Onaga monaga@abril.com.br
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