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Tradicionalmente, as montadoras nacionais e estrangeiras de veículos para o campo reservam seus principais lançamentos para a Agrishow, maior feira do agronegócio, realizada em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo. Na última edição da feira, em abril, a grande estrela foi a K5000, uma supercolheitadeira de laranjas cotada a 1,7 milhão de reais, o modelo mais caro vendido no país nesse mercado. O valor acima é o da configuração básica da colheitadeira. Caso o comprador queira acoplar um segundo conjunto de hastes colhedoras, o preço passa para 3 milhões de reais. Nessa configuração, a K5000 consegue encher 800 caixas de 41 quilos de laranja por hora, substituindo a força de 120 homens. O índice de acerto é de 90% (ou seja, depois da ação da máquina, ainda 10% da plantação precisa ser colhida manualmente). Sua concorrente, a americana Oxbo, custa cerca de 2 milhões de reais, tem velocidade semelhante, mas é um pouco mais eficiente — a taxa de precisão é de 95%. Em contrapartida, não funciona para as características específicas dos pomares brasileiros.
Guardadas as devidas proporções, a exibição da K5000 na Agrishow provocou o mesmo frisson que a exibição de um novo modelo de Ferrari no Salão de Detroit. Aboletados ao redor da máquina, vários produtores rurais gastaram um bom tempo admirando as dimensões e os recursos do equipamento (veja quadro ao lado). Com aproximadamente 5 metros de altura, o modelo tem cabine pressurizada, GPS e dois computadores de bordo que, depois de analisar as condições do campo, ajustam automaticamente a velocidade e a trajetória da colheitadeira. O modelo é assinado por uma das mais tradicionais montadoras nacionais de veículos agrícolas, a Jacto, sediada em Pompéia, no interior de São Paulo. Os engenheiros da companhia investiram dez anos no desenvolvimento do projeto. “A colheita de frutas é a última fronteira a ser conquistada no que diz respeito à mecanização do campo”, diz Walmi Gomes Martin, gerente de produto da Jacto. “No caso das laranjas, por exemplo, a atividade é trabalhosa e delicada, pois as condições variam muito de plantação para plantação.”
O lançamento no Brasil da K5000 é um exemplo do nível de sofisticação a que chegou o mercado de máquinas agrícolas. A tecnologia tornou-se a maior aliada dos empresários do campo na luta pelo aumento da produtividade e pela erradicação de práticas trabalhistas dignas da Idade Média (como é o caso da colheita nos canaviais realizada por bóias-frias). São máquinas adaptadas à produção de larga escala, uma característica fundamental do agronegócio. Outro destaque da Agrishow, a nova versão da colhedeira de cana A7700 é capaz de cortar e recolher 80 toneladas por hora, média equivalente ao trabalho de 120 homens no campo. Seu preço pode ultrapassar 1 milhão de reais, dependendo dos opcionais instalados. O modelo é produzido pela Case IH, empresa de Piracicaba, em São Paulo. Para a cultura de algodão, o modelo que mais chamou a atenção na feira de Ribeirão Preto foi a Module Express 625. Capaz de trabalhar em quase 30 hectares de terra por dia, o equipamento não apenas extrai a pluma do campo como também realiza a prensa do enfardo, entregando-o pronto para a beneficiadora. Considerada a máquina de algodão mais moderna dos Estados Unidos, ela chega ao Brasil importada pela CNH, holding do grupo Fiat formada pelas montadoras Case IH e New Holland. Será vendida aqui por 490 000 dólares.