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| 15.05.2008
EXAME O que muda na bolsa e na renda fixa
Apesar de o anúncio ser esperado há meses, o fato de o Brasil ter obtido o grau de investimento é um marco que provocará mudanças nos mercados de ações, câmbio e renda fixa. Para indicar as melhores alternativas nesse novo cenário, EXAME ouviu 20 especialistas de alguns dos principais bancos, corretoras e gestoras de recursos do país. Suas opiniões estão reunidas nas páginas a seguir. Abaixo, conselhos de como o investidor deve agir dependendo do prazo durante o qual pretende deixar seu dinheiro aplicado.
6 meses Se você pensa em sacar nesse prazo, o melhor é ficar na renda fixa, já que a bolsa continuará volátil em razão da crise externa. Como a perspectiva é de alta dos juros, a recomendação é aplicar em fundos DI, CDBs e títulos pós-fixados.
12 meses Caso esse seja seu horizonte de aplicação, é hora de aumentar a quantia investida em ações — em até 15%, no máximo. Na renda fixa, o conselho é aplicar em fundos e títulos prefixados, que fixam hoje o retorno que será pago no futuro.
18 meses Nesse caso vale a pena aplicar parte do portfólio em ações de empresas de baixo valor de mercado — conhecidas como small e mid caps (veja na pág. 131). IPOs de companhias de grande porte também podem ser boas opções.
BOLSA
Há espaço para novas altas
Dezesseis dos 18 especialistas em renda variável consultados por EXAME aumentaram sua previsão para o Índice Bovespa até o fim do ano — a estimativa média passou de 75 000 para 80 000 pontos. A valorização será puxada por empresas ligadas ao consumo interno, como as varejistas, as construtoras e os bancos. “O grau de investimento costuma vir acompanhado de mais crescimento econômico, o que beneficia essas companhias”, diz Rodrigo Aché, executivo da corretora Brascan. Outro setor promissor é o de infra-estrutura, dependente de financiamentos de longo prazo, que devem se tornar mais fartos. É bom lembrar, porém, que a valorização da bolsa não deve ser linear. “O investidor precisa ficar preparado para altos e baixos, porque o cenário externo permanece incerto”, diz Roseli Machado, diretora da Fator Asset Management.
PETROBRAS
O preço da ação dobrou. E vai subir
Com alta de mais de 100% nos últimos 12 meses, as ações da Petrobras estão entre as que mais se valorizaram na Bovespa. E ainda há chance de ganhos. ?A estatal, que poderá ter sua nota de classificação de risco elevada pela Standard & Poor’s, é a única empresa brasileira citada numa lista de recomendações de investimento publicada neste mês pela revista BusinessWeek. As demais são seis companhias americanas — Apple, Boeing, CVS, Genentech, JPMorgan e Pfizer. O motivo do otimismo com a Petrobras, comandada por Sérgio Gabrielli, é a descoberta de novas — e gigantescas — reservas de petróleo.
CENÁRIOS
O que dizem os peritos
As opiniões dos analistas sobre o que muda para os investidores após a decisão da Standard & Poor’s de elevar o Brasil a grau de investimento
Alexandre Mathias Economista do Unibanco Asset Management “O grau de investimento é importante porque atesta os progressos dos últimos anos. Isso favorece as empresas e a bolsa. Vale a pena aumentar as aplicações em ações, especialmente em small caps”
Arthur Kalita Vice-presidente do ING Investment Management
“O aumento dos investimentos estrangeiros na bolsa brasileira não será imediato. Ele ocorrerá paulatinamente nos próximos meses. Isso beneficiará principalmente as ações das small caps”
Luiz Carlos Mendonça de Barros
Ex-ministro e sócio da Quest Investimentos “Um problema não foi resolvido ainda: a inflação alta. A alta dos preços deverá ser combatida com um forte aumento dos juros, o que pode conter a valorização da bolsa”
Marcelo Giufrida Diretor da gestora do BNP Paribas “Os IPOs devem voltar, porque haverá maior demanda dos estrangeiros. O ritmo, porém, não será o mesmo de 2007, porque os investidores estão fazendo mais exigências. Para atrair interessados, as companhias precisarão ter planos sólidos de crescimento”
Mark Mobius Diretor da gestora Franklin Templeton “A decisão da S&P favorece a bolsa, mas o investidor não pode levar apenas isso em conta na hora de comprar ações. Há papéis caros na Bovespa entre empresas de todos os portes. É preciso procurar as que ainda estão baratas”
SMALL E MID CAPS
As promessas da bolsa
As ações de empresas de baixo valor de mercado — conhecidas como small e mid caps — estão entre as grandes promessas da bolsa. Uma explicação é o fato de que, com o grau de investimento, elas passam a ter acesso a linhas de crédito mais baratas e de longo prazo. “Assim, as empresas conseguem captar recursos para crescer”, diz Aquiles Mosca, estrategista da gestora de recursos do Real. Muitos desses papéis se desvalorizaram nos últimos meses em razão da crise americana, que levou os estrangeiros a buscar ações mais líquidas — agora, o maior fluxo de recursos externos tende a aumentar a negociação desses papéis. Apesar da previsão de alta, os benefícios não serão imediatos. “Levará alguns meses até que elas recebam mais crédito e que suas ações se tornem mais negociadas”, diz André Paes, diretor da gestora de recursos Infinity.
DÓLAR
Sem sustos no câmbio
As economias de países que recebem o grau de investimento costumam ficar mais estáveis — e é isso que se espera para o câmbio no Brasil. Os 16 especialistas ouvidos por EXAME prevêem que o dólar fique entre 1,65 e 1,75 real até dezembro. “Haverá um equilíbrio de forças nesse mercado nos próximos meses”, diz Luiz Rogé, economista da consultoria financeira CMA. A esperada maior entrada de recursos estrangeiros no país será contrabalançada pela saída de dólares via aumento das importações e remessas de lucro de multinacionais (como já vem ocorrendo nos últimos meses).
RENDA FIXA
O sobe-e-desce dos juros
Todos os analistas consultados por EXAME esperam que os juros continuem em alta nos próximos meses — em média, projetam uma taxa Selic em torno de 13% no fim do ano. “É o que o Banco Central deve fazer para combater a inflação”, diz Mauro Bergstein, diretor do banco Credit Suisse. Para o investidor, isso significa que o melhor é optar por fundos DI, CDBs e títulos pós-fixados, cujo rendimento varia de acordo com o comportamento dos juros de mercado. Quem vai deixar seu dinheiro aplicado por mais de 12 meses, porém, pode aproveitar para aplicar parte de seu patrimônio em fundos e papéis prefixados, aqueles que fixam hoje o retorno que será pago no futuro. Isso porque os juros voltarão a cair.
Edição: Giuliana Napolitano gnapolitano@abril.com.br