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Um filme em 3 minutos

 | 15.05.2008

Sofrendo para baixar músicas e filmes? Pois começa a surgir no Brasil a banda superlarga de internet, tecnologia que custa menos de 500 reais mensais e pode transformar o computador em TV

 

Claudio Onorati/Corbis

Shows, filmes e games: com a fibra óptica é mais rápido

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Por Bruno Toranzo

EXAME 

"O computador", disse certa vez o fundador da Microsoft, Bill Gates, “foi criado para resolver problemas que não existiam antes dele.” A frase de Gates resume as preocupações que surgem quando novas tecnologias entram em nossa vida. Com a internet, funcionou de forma semelhante. Até menos de cinco anos atrás, a maioria dos usuários estava satisfeita com a leitura de e-mails e de páginas mais simples. Foi quando a banda larga se tornou mais acessível e a possibilidade de baixar músicas e filmes passou a ser real. Começou, então, a dor de cabeça. Quem se aventura a baixar filmes enfrenta horas, muitas horas de suplício. Pois começa a se disseminar uma tecnologia que resolve o problema — é a internet distribuída por cabos de fibra óptica, também conhecida como banda “larguíssima”, 30 vezes mais rápida que a banda larga tradicional. Com essa velocidade, é possível baixar um filme em menos de 3 minutos. Para quem usa a web para games em rede, o desempenho dos jogos melhora no mínimo dez vezes.

A banda larga em fibra óptica começou a ser oferecida pelas operadoras de telefonia fixa em 2008. Por enquanto, só está disponível para alguns felizardos. Em São Paulo, a operadora espanhola Telefônica vende o serviço a 40 000 assinantes nos bairros dos Jardins e de Pinheiros, nas zonas sul e oeste da cidade. Os preços variam de acordo com a velocidade (de 8 a 30 megabits por segundo). O mais barato sai por 400 reais mensais. O mais caro, 500 reais. Em outras cidades, o número de clientes é ainda menor. Em Curitiba e Brasília, apenas três condomínios, com cerca de 200 moradores no total, têm acesso à nova tecnologia. A Brasil Telecom optou por cobrar o mesmo preço da banda larga comum pela novidade. A boa notícia é que as operadoras pretendem ampliar a cobertura, e rapidamente. O objetivo da Telefônica é levar a internet de alta velocidade a outros bairros de classe média de São Paulo e de cidades como Campinas e Ribeirão Preto em menos de um ano. “O usuário médio não precisa de tanta velocidade”, afirma Antonio Carlos Valente, presidente da Telefônica. “Mas a experiência mostra que é a velocidade oferecida que muda a forma com que o consumidor usa a internet.”

Mais velocidade
Com a fibra óptica, é possível baixar filmes,fotos e músicas em muito menos tempo
  Fibra óptica Banda larga
Álbum de 30 fotos
(9 MB)
4 seg 1 min e 12 seg
CD com 12 músicas
(42MB)
11 seg 5 min e 36 seg
Jogos
(500 MB)
2 min e 10 seg 67 min
Filmes
(600 MB)
2 min e 40 seg 80 min

O número de usuários que assinam a internet em fibra óptica começa a crescer nos países desenvolvidos. Somente em 2007, quase 6 milhões de residências passaram a contar com a conexão ultra-rápida. Para variar, é na Ásia que o uso está mais disseminado. De acordo com o FTTH Council, principal instituto de pesquisa sobre o assunto, 31,4% das residências sul-coreanas estão equipadas com a tecnologia. Os Estados Unidos dobraram a participação em relação ao ano passado, porém apenas 2,3% das casas estão conectadas. O motivo para a baixa disseminação é o preço. Isso porque a implantação da tecnologia de fibra é três vezes mais cara que a de cobre.

À medida que os investimentos aumentem, porém, a banda larguíssima transformará o computador numa televisão (algo que já existe, por exemplo, na França e em Hong Kong), conhecida como IPTV. “O consumidor pode assistir à programação de um canal e, ao mesmo tempo, gravar a de outras duas emissoras”, afirma Tim Philips, diretor da empresa de serviços de tecnologia Comverse. Estima-se que o número de assinantes da nova TV atingirá 36,8 milhões no ano de 2009. Essa projeção de crescimento se deve principalmente à possibilidade oferecida ao consumidor de trocar seu pacote de televisão a cabo ou por satélite pela IPTV. Uma maravilha, enfim — até que, como acontece com toda tecnologia que surge como a solucionadora de todos os males, ela crie problemas que só a próxima irá resolver.

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Olavo Setubal, do Itaú, em foto de 2006
 

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