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A série de ações do MST deflagradas durante o "Abril Vermelho" foi precedida por invasões lideradas por grupos de dezenas de mulheres. As ações das militantes da Via Campesina, organização global com sede na Indonésia e que no Brasil funciona como braço do MST, são mais uma tentativa do movimento de fazer muito barulho e correr o mínimo de riscos. As empresas, mais uma vez, foram o alvo escolhido para o show, financiado sobretudo com dinheiro de ONGs internacionais. Na última ação da Via Campesina, três companhias -- a Stora Enso, a Monsanto e a própria Vale -- foram surpreendidas por grupos de mulheres que promoveram quebradeiras e causaram prejuízos de milhões de reais. Na nova estratégia do MST contra o capitalismo -- de ataque às empresas, além de fazendas e repartições do governo --, a Via Campesina já vinha desempenhando papel relevante. Em dois anos, as campesinas fizeram 52 invasões em vários lugares do país.
A Aracruz Celulose foi a primeira vítima. Em 8 de março de 2006, cerca de 2 000 militantes invadiram o horto florestal da fazenda Barba Negra, em Barra do Ribeiro, no Rio Grande do Sul, e destruíram o laboratório de pesquisas e 5 milhões de mudas de eucaliptos prontas para o plantio. Na época, a empresa calculou um prejuízo de 700 000 dólares em estrutura física e mais 20 milhões de dólares de faturamento perdido com a produção futura das mudas destruídas. A Via Campesina apresentava suas armas. Em março deste ano, o movimento chegou ao auge da atividade. No dia 4, 900 mulheres entraram na fazenda Tarumã, na cidade gaúcha de Rosário do Sul, cortaram 4 hectares de eucalipto da Stora Enso, plantaram árvores nativas e causaram prejuízo de 30 000 reais. Três dias depois, outras 300 militantes invadiram uma unidade de pesquisa da Monsanto em Santa Cruz das Palmeiras, em São Paulo, e destruíram um viveiro e um campo experimental de milho transgênico. A vítima seguinte foi a Vale. Cerca de 600 mulheres interromperam por 12 horas a Estrada de Ferro VitóriaMinas, em Minas Gerais. Todas as invasões da Via Campesina começam de madrugada e são realizadas predominantemente por mulheres, com o rosto coberto por lenços coloridos. "Elas querem ser vistas como vítimas, mulheres sofridas que sustentam a família", diz o deputado estadual Jerônimo Goergen (PP-RS), da bancada ruralista.

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