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| 01.05.2008
EXAME CIGARRO
O caubói quer mais imposto
Na contramão de quase todas as empresas do país, que reclamam da excessiva carga tributária, a fabricante de cigarros Philip Morris quer pagar mais imposto. A companhia leva ao governo nos próximos dias uma proposta de modificação da cobrança do imposto sobre produtos industrializados (IPI) sobre cigarros. De acordo com a proposta, as seis alíquotas atuais, que variam de 62 centavos a 1,13 real, seriam substituídas por uma única. Inusitadamente, a Philip Morris quer que prevaleça a alíquota mais alta. O argumento oficial é que, dessa forma, o governo uniria a política tributária com a de saúde pública, uma vez que um imposto mais alto reduziria o consumo do cigarro. Na prática, porém, a empresa também mira sua maior concorrente, a Souza Cruz. Dona de mais de 60% do mercado, a Souza Cruz tem nos cigarros que pagam as menores alíquotas mais de 70% de suas vendas. A Philip Morris, vice-líder do setor, com 15% das vendas, sentiria menos o impacto do aumento. Atualmente, mais de 40% de suas vendas são cigarros que pagam as alíquotas mais altas. A adoção da alíquota mais alta para todos diminuiria a atratividade dos cigarros mais baratos, o que beneficiaria a Philip Morris, dona da marca Marlboro. Por exemplo: um maço de Derby, cigarro líder de vendas da Souza Cruz, passaria de 2,25 reais em São Paulo para cerca de 2,90 reais, aumento de 30%. Já a caixinha do Marlboro, produto mais vendido da Philip Morris, passaria de 3,25 para 3,50 reais, aumento de 8%. A Philip Morris afirma que sua intenção é deixar o mercado mais transparente e ajudar a melhorar a política de saúde pública do governo. A Souza Cruz diz que a medida beneficiaria os cigarros contrabandeados, que não pagam impostos e representam 30% do mercado.
SIDERURGIA
A Mittal avança no Brasil
A gigante mundial de siderurgia ArcelorMittal prepara-se para superar a concorrente Usiminas no mercado de distribuição de aços no Brasil. A empresa do milionário indiano Lakshmi Mittal, que recentemente comprou a Belgo Mineira, negocia a aquisição da Manchester, distribuidora mineira de médio porte, com faturamento anual de 350 milhões de reais e vendas de 130 000 toneladas de aço por ano. Com a compra, a ArcelorMittal deve chegar ao volume de 550 000 toneladas comercializadas por ano e encostar na distribuidora da Usiminas, que vendeu 573 000 toneladas no ano passado. O grupo indiano negocia ainda a compra de outras distribuidoras de médio e pequeno porte e, com isso, deve assumir a liderança do setor até o fim do ano.
IMÓVEIS
Gigante à venda
O mercado imobiliário está em polvorosa. Depois de a Cyrela iniciar um projeto para montar uma imobiliária própria, agora a Abyara caminha no sentido oposto. A empresa quer se dedicar apenas à sua área de incorporação e negocia o braço de vendas com empresas do mercado. Os maiores interessados seriam a Lopes, já preocupada com o surgimento de uma rival de peso, e a Brasil Brokers. A Lopes não comenta o assunto. A Brasil Brokers confirma que busca novos negócios, mas não fala sobre a negociação com a Abyara. Recentemente, a Cyrela propôs uma troca de ações com a Abyara para ficar com sua imobiliária, mas o negócio não prosperou. Com valor geral de vendas previsto de 5 bilhões de reais até o fim de 2009, estima-se que o preço da imobiliária da Abyara será de aproximadamente 500 milhões de reais. A empresa nega que esteja à venda.
ENERGIA
CPI da conta de luz
O deputado federal Eduardo da Fonte (PP-PE) quer instalar uma CPI para investigar possíveis abusos nas contas de eletricidade dos brasileiros. Nas últimas semanas, Fonte tem colhido assinaturas e promete protocolar o pedido de CPI em breve. O deputado argumenta que a privatização das distribuidoras de energia provocou aumentos abusivos nas tarifas, o que teria levado a energia brasileira ao posto de terceira mais cara do mundo para consumidores industriais. Fonte já convidou empresários como Jorge Gerdau Johannpeter e Paulo Skaf para uma audiência pública com o objetivo de discutir o tema.
CONSTRUÇÃO
A crise chega ao nordeste
A crise imobiliária internacional, que começou nos Estados Unidos e já atinge a Europa, pode frustrar investimentos no Brasil nos próximos meses. Responsável pelo projeto de um mega-resort residencial em Pitangui, no Rio Grande do Norte, o grupo espanhol Sánchez entrou em concordata em abril e pode não levar o empreendimento adiante. As obras da fase inicial do projeto, que previa investimentos de 1,1 bilhão de reais para a construção de 1 280 apartamentos e um campo de golfe, deveriam ter começado em agosto do ano passado, mas até agora nenhuma parede foi erguida. O grupo precisa encontrar um investidor para iniciar as obras até junho, quando vence sua licença ambiental. Até agora, no entanto, ninguém se dispôs a financiar o empreendimento. O Sánchez informa que o projeto está mantido e que negocia com grupos de investidores.
INFORMÁTICA
Tudo pela rede
A Datasul, empresa brasileira de software, lançou seu primeiro sistema de gestão empresarial totalmente fornecido via internet. Batizado de By You, o programa ficará hospedado nos servidores da Datasul e disponível para os clientes por meio de qualquer navegador na internet. A intenção de Jorge Steffens, presidente da empresa, é reforçar o modelo de software como serviço, em que o usuário paga periodicamente pelo uso. Atualmente, apenas 12% da receita líquida da empresa, de 222,5 milhões de reais em 2007, é fruto do modelo de assinaturas. A estratégia da Datasul é migrar, gradualmente, todo seu portfólio de software -- de gestão empresarial e relacionamento com clientes -- para o modelo online, etapa que, segundo Steffens, deve acontecer nos próximos dois anos.
CURTAS
A CPMF do Carrefour
O Carrefour, maior rede varejista do Brasil, vem sendo acusado por alguns fornecedores de se apropriar da extinta CPMF. De acordo com fornecedores ouvidos por EXAME, o Carrefour os obrigou a conceder um desconto de 0,38% (alíquota da CPMF) depois que o tributo foi eliminado, no início deste ano, em meio a uma intensa batalha política entre governo e oposição. O Carrefour diz que apenas negociou a redução do valor para repassar o desconto ao consumidor final.
Para frances ver
Os vinhos espumantes produzidos no Rio Grande do Sul terão sua qualidade reconhecida por representantes de Champagne, região francesa responsável pela produção dos melhores espumantes do mundo. O atestado é uma retribuição ao fato de o Brasil ter parado de usar o termo "champanhe" para seus vinhos espumantes.
Marcelo Onaga monaga@abril.com.br