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Seu Dinheiro

| 01/05/2008

 

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exame
JUROS
Onde investir agora?
Depois de quase três anos de baixa, os juros voltaram a subir em abril -- e tudo indica que haverá novas altas. Diante disso, os especialistas recomendam que o investidor faça pequenas mudanças no seu portfólio. Confira as principais indicações.

- Bolsa de valores
Continua sendo uma boa opção. Em média, os analistas prevêem alta de 15% para o Ibovespa até dezembro, superior ao rendimento da Selic. Quem decidir montar a própria carteira de ações, porém, deve deixar de lado os papéis de varejistas, que podem sofrer se o consumo esfriar -- objetivo do Banco Central ao elevar os juros. As exportadoras também perdem porque juros mais altos fazem o real se valorizar, o que diminui a competitividade dos produtos brasileiros. As melhores alternativas são as ações das siderúrgicas, da Vale e da Petrobras -- pouco afetadas pela decisão do BC. Os bancos também continuam sendo boas opções. "Pequenas altas da Selic afetam o varejo, mas não reduzem drasticamente a capacidade dos bancos de emprestar e ganhar com a concessão de crédito", diz Kelly Trentin, analista-chefe da corretora SLW.

- Renda fixa
Os fundos e títulos públicos prefixados, que determinam hoje o rendimento que será pago no futuro, são indicados para quem vai deixar seu dinheiro aplicado por mais de seis meses. "Pode haver perdas no curto prazo caso os juros voltem a subir, mas, no longo prazo, essa é a melhor alternativa", diz Marcelo Mello, vice-presidente da SulAmérica Investimentos. Quem for precisar do dinheiro em até seis meses deve preferir os fundos DI, cujo rendimento oscila de acordo com a Selic.

- Dólar
A tendência de alta do real frente ao dólar fica mais forte com o aumento da Selic. "Juros elevados atraem investimentos estrangeiros, o que faz o real se valorizar", diz Júlio Martins, diretor da gestora Prosper.


BOVESPA E BM&F
Ações em liquidação
As ações da Bovespa e da BM&F caíram 10% e 14%, respectivamente, em abril. O motivo foi a venda em massa feita por investidores que queriam se desfazer dos papéis da Bovespa antes de 22 de abril e dos da BM&F antes de 31 de maio. Até essas datas, as corretoras, antigas donas das bolsas, não podem vender todas as suas ações. A partir daí, porém, têm o direito de negociá-las. "Temendo grandes vendas, os investidores correram para se desfazer dos papéis", diz Victor Mizusaki, analista da Itaú Corretora. As ações continuam em baixa e devem ficar assim até o fim de maio. Para quem está disposto a correr riscos, entretanto, é um ótimo momento. "Os preços estão atraentes e, no longo prazo, a previsão é de alta", diz Mizusaki.

Aqueda, em abril, dos papéis da Bovespa e da BM&F(1)
BM&F-14%
Bovespa-10%
(1) Até 25/4 Fonte: Economática



INVESTIMENTOS
As lições do guru
"Os mercados não ficaram mais racionais, só passaram a ser acompanhados mais de perto. Quando as pessoas entram em pânico, ou quando a ganância toma conta, as reações são tão irracionais quanto no passado." Essa foi uma das primeiras frases que o megainvestidor Warren Buffett, o homem mais rico do mundo, disse a um grupo de alunos da escola de negócios Wharton que visitou sua empresa em abril. A revista Fortune acompanhou a visita. Leia algumas das declarações de Buffett:

- Conselhos para os investidores
"Devem aplicar em fundos indexados e com baixas taxas de administração. E investir aos poucos, pois não conseguirão acertar o melhor preço e a melhor hora para aplicar."

- Crise das hipotecas
"Há muita gente dizendo que será curta e superficial, mas parece justamente o contrário. De toda forma, eu não invisto um centavo baseado em estimativas macroeconômicas; assim, não acho que as pessoas devam vender suas ações por causa disso. Também não devem comprar ações por causa disso."

- Economia americana
"A economia ficará bem. Mas não ficará bem todo ano, ou todo mês, ou toda semana. Ficamos produtivos a cada dia, por isso, no longo prazo, a soma é positiva. Quem não acredita nisso não deve comprar ações."


CARROS
Luxo em prestações
A recente alta da taxa básica de juro não impediu que a febre dos financiamentos de automóveis chegasse aos carrões de luxo. A informação é de algumas das principais concessionárias do país. Cerca de 80% das BMWs vendidas pela loja Eurobike, de São Paulo, por exemplo, são financiadas -- em 2006, eram apenas 35%. Os consumidores têm sido atraídos por promoções feitas pelas montadoras, que reduzem os juros dos financiamentos. É o que ocorre na concessionária AudiOne, onde o modelo A4 pode ser financiado sem juros em razão de uma política de subsídios da Audi. "Os clientes preferem deixar o dinheiro aplicado e pagar o carro em prestações", diz Aldo Biasetton, diretor da AudiOne. Nessa loja, as vendas parceladas subiram de 20%, em 2006, para 55%, no ano passado.


BOLSA
As melhores do ano
Os papéis das empresas siderúrgicas e de algumas companhias ligadas ao agronegócio tiveram as maiores valorizações deste ano na Bovespa. A explicação é a alta dos preços das commodities e também o aumento da demanda no mercado interno(1)

SLC Agrícola94%
Ferbasa66%
JBS45%
Usiminas41%
CSN39%
Ibovespa
2%

(1) Até 25/4 Foram consideradas as empresas com valor de mercado superior a 1 bilhão de reais
Fonte: Economática




A AÇÃO ­ PETROBRAS
Da para esperar mais
As ações da Petrobras subiram 7% entre 14 de abril, quando foi feito o desastrado anúncio da descoberta de uma reserva gigantesca de petróleo, e o dia 25. Segundo os analistas, há espaço para mais altas. "Mas só faremos novas estimativas para o preço da ação quando a empresa divulgar detalhes sobre o potencial de produção do poço e sobre os investimentos que serão feitos", diz Mônica Araújo, chefe de análise da corretora Ativa. Mesmo sem levar isso em conta, os analistas já esperam que a ação suba 35% nos próximos 12 meses.

As ações da Petrobras devem subir 35% nos próximos 12 meses
Jan 0886
Fev81
Mar81
Abr84(1)
Abr 09113(2)
(1) Em 25/4 (2) Previsão
Fontes: analistas e Economática


Edição: Giuliana Napolitano gnapolitano@abril.com.br
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