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“Não acredito em recessão”

 | 17.04.2008

Além de não ser catastrófica, a crise atual está criando boas oportunidades de negócios, diz o bilionário investidor americano

 

Lia Lubambo

Sam Zell: “Teremos um ano pior, mas não será o fim do mundo”

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Por Giuliana Napolitano

EXAME 

Conhecido por aplicar em empresas e imóveis quase falidos — e lucrar com sua recuperação —, o investidor americano Sam Zell não acredita
num desfecho catastrófico para a crise imobiliária dos Estados Unidos. Ele planeja aumentar suas aplicações no país e em mercados emergentes, como China, Egito e Brasil, onde já é sócio de três empresas.

1 - O senhor está preparando seus investimentos para uma eventual recessão nos Estados Unidos?
Não creio que haverá uma recessão séria nos Estados Unidos. A economia está, sim, desacelerando. É fato que este ano será menos robusto que 2007, mas não vejo um cenário catastrófico. Não será o fim do mundo. Para investidores como eu, a crise está criando oportunidades de negócios.

2 - Quais negócios estão em seu radar?
Todos os setores estão em meu radar, com exceção do bancário, que é regulado demais para o tipo de investimento que faço.

3 - Quanto o senhor perdeu com a crise imobiliária americana?
Não tive prejuízos significativos. Quando comecei, investia apenas no mercado imobiliário. Nos últimos anos, porém, venho diminuindo a parcela de imóveis no portfólio e aplicando em outros setores, como mídia (Zell é dono dos jornais americanos Chicago Tribune e Los Angeles Times). Isso se mostrou acertado particularmente agora, em meio à crise dos subprimes.

4 - O senhor voltará a investir em imóveis nos Estados Unidos?
Está em meus planos. Voltei a encontrar oportunidades interessantes de investimento em propriedades imobiliárias com dificuldades financeiras. Nos últimos seis ou sete anos, a oferta desse tipo de negócio foi mínima, em razão do boom imobiliário americano.

5 - E quais são os planos para seus investimentos no exterior?
Pretendo aumentar a fatia internacional de meu portfólio, que hoje está em torno de 10%. Meus alvos prioritários são três países emergentes: China, Egito e Brasil, onde já tenho uma exposição importante como sócio de três empresas (Bracor, BR Malls e Gafisa). Eu e meus executivos somos oportunistas profissionais — vamos para onde estão as melhores chances de fazer bons negócios. Atualmente, ter uma atuação global é algo cada vez mais necessário.

6 - Por que essa presença global é importante?
Porque vivemos em um mundo cada vez mais interligado. O que ocorre na China afeta o Brasil, os Estados Unidos e a maioria dos países de economias relevantes numa intensidade jamais vista. O empresário global está mais atento a essas interligações do que alguém que atua apenas em seu mercado — isso aumenta sua chance de sucesso.

7 - Os riscos não aumentam na mesma proporção?
Depende. É possível minimizar os riscos com uma boa estratégia. Tenho investimentos fora dos Estados Unidos há cerca de dez anos e uma das lições mais valiosas que aprendi ao longo dessa experiência é que o sucesso de um negócio no exterior depende de alianças com fortes empresários locais. O restante é secundário. É esse parceiro que apresenta você a um ambiente de negócios que geralmente funciona de forma desconhecida: o sistema político é diferente, as leis são diferentes, as influências culturais são diferentes.

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