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| 03.04.2008
EXAME CELULOSE
Na briga pela Aracruz
Os acionistas da Aracruz, uma das maiores produtoras de celulose do país, ainda nem se decidiram pela venda da companhia (o acordo de acionistas termina só em maio), e a movimentação dentro da Suzano, sua maior concorrente, já é intensa. Desde que assumiu o comando da empresa, em junho de 2006, o executivo Antonio Maciel Neto vem se dedicando a elevar o valor de mercado da Suzano, de olho numa possível aquisição. Foi por essa razão, por exemplo, que a empresa adiantou em dois meses a inauguração da segunda linha de produção na fábrica de Mucuri, na Bahia, em janeiro. A idéia era posicionar a Suzano, o quanto antes, entre as maiores produtoras mundiais de celulose, o que lhe daria mais força numa eventual disputa com a VCP. Até aqui, os esforços de Maciel na Suzano têm sido reconhecidos pelo mercado. Em pouco mais de um ano, o valor da empresa quase dobrou, passando de 3 bilhões de reais em 2006 para cerca de 5,5 bilhões neste ano. “A empresa está com mais de 1 bilhão de reais em caixa”, diz Maciel. “Minha função é aumentar o valor da companhia, e não dá para negar que o cenário de consolidação é iminente.”
BEBIDAS
Aqui era mais fácil
Depois de enfrentar problemas na Bélgica, outro país europeu vem causando dor de cabeça aos executivos da Inbev: a Alemanha. A exemplo do que tem feito no Brasil, a cervejaria está tentando endurecer a negociação com fornecedores e distribuidores, reduzindo as margens e esticando os prazos de pagamento. O problema é que lá, ao contrário do que ocorre aqui, o mercado de cervejas é bastante pulverizado: são mais de 1 200 marcas. Diante disso, muitos bares e restaurantes têm optado por simplesmente não vender os produtos da Inbev.
INVESTIMENTO
Pequena, mas muito atraente
À primeira vista, uma empresa especializada na locação de geradores do porte da Poit Energia, com faturamento estimado em 60 milhões de reais, não chamaria a atenção de investidores acostumados a grandes aquisições. Pois foi exatamente o que aconteceu. Sem fazer alarde, um dos fundos administrados pela BRZ, empresa criada pelo GP para investir em participações minoritárias de companhias emergentes, adquiriu 35% da Poit em 10 de fevereiro. Mais que o tamanho da companhia, a BRZ está interessada no potencial de crescimento da Poit. Além de fornecer equipamentos para megaeventos, como o show dos Rolling Stones na praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, a Poit tem em seu portfólio empresas como Petrobras, Vale, Siemens e Ericsson. Essa foi a quarta operação da BRZ em pouco menos de um ano.
CONCORRÊNCIA
A disputa mexicana pelo Brasil
O magnata mexicano Ricardo Salinas, dono da rede de varejo de eletroeletrônicos Elektra, a maior do México, mal inaugurou sua primeira loja no Brasil e já tem um velho conhecido em seu encalço. Enrique Coppel, dono da segunda maior cadeia varejista daquele país, também decidiu investir no mercado brasileiro. Até o início de 2009, Coppel quer inaugurar dez lojas no Brasil, a maior parte delas localizada na Região Sul. A empresa já nomeou um diretor responsável pela operação brasileira, que terá sede em Curitiba, no Paraná. A rede Coppel tem mais de 400 lojas no México — e faturamento superior a 5 bilhões de reais.
LOGÍSTICA
Do Brasil para o mundo
A tecnologia desenvolvida pela América Latina Logística (ALL) para aprimorar seu sistema de transporte ferroviário no Brasil começou a ganhar o mundo. No final do ano passado, três grandes companhias africanas adquiriram o mesmo computador de bordo utilizado pelas locomotivas da ALL. A operação rendeu 6 milhões de dólares à ALL Tech, empresa de tecnologia criada pela ALL em 2004. Para este ano, a meta é conquistar clientes na América Latina e no Leste Europeu.
VAREJO
Rumo ao topo
O Wal-Mart, maior rede de supermercados do mundo, vai investir cerca de 5 bilhões de dólares no Brasil até 2012. O objetivo é posicionar a rede na liderança do varejo nacional, atualmente ocupada pelo Carrefour. A maior parte do investimento deve se concentrar na Região Sudeste, onde a rede ainda ocupa a terceira posição.
CURTAS
Bastidores
O juiz carioca Luiz Roberto Ayoub, que conduz a recuperação judicial da Varig, já tem planos para quando o processo chegar ao fim, em junho deste ano. O magistrado vai escrever um livro técnico sobre a Nova Lei de Falências, em vigor desde 2005. Para isso, usará como exemplo o caso envolvendo a companhia aérea. Os amigos, no entanto, querem mesmo é que ele publique uma obra com os bastidores da recuperação, que teria como ingredientes episódios picantes de ameaça e tentativas de suborno.Ayoub descarta — ao menos por enquanto.
Imigração
A demora na emissão de vistos de entrada a trabalhadores chineses no Brasil tem irritado o governo da China. Há casos de empresas instaladas no país que tiveram mais de 100 pedidos de visto retidos pelo Ministério do Trabalho. Para o governo brasileiro, a entrada de trabalhadores de nível médio, como engenheiros, concorre diretamente com os profissionais do país — daí os processos estarem emperrados. O Itamaraty não comenta o caso.
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