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Um salário de até 150 000 reais

| 06/03/2008

É quanto podem ganhar os práticos -- uma classe que tem exclusividade no trabalho de atracar navios

 

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Nos portos brasileiros, há um tipo de profissional que ganha salários dignos de altos executivos fazendo um trabalho que pouca gente conhece. São os práticos. Sua função é assessorar os comandantes na hora de atracar os navios, passando por rádio orientações para evitar que a embarcação esbarre em bancos de areia e outros obstáculos. Segundo informações do mercado, um prático no porto de Santos, o mais movimentado do país, pode ganhar até 150 000 reais por mês. Por que uma remuneração tão alta? Simples -- na prática (e sem trocadilho) há uma reserva de mercado. Ao aportar, todo navio é obrigado por lei a contratar um prático, profissional que é habilitado exclusivamente pela Marinha. "A imposição visa proteger a vida humana no mar e prevenir acidentes ambientais", informa a assessoria de comunicação da Marinha. Há apenas cerca de 400 práticos no país. O serviço é privado, pago à cooperativa de práticos pelas companhias de navegação a cada manobra efetuada. Os usuários reclamam da falta de opções e dos preços altos -- um grande armador estima que a contratação de práticos represente 40% de seus custos portuários. Recentemente, o ministro-chefe da Secretaria Especial de Portos, Pedro Brito, declarou que a posição do governo era pela abertura desse mercado. "Os práticos continuarão com suas cooperativas, mas as companhias que administram os portos também oferecerão o serviço", disse Brito. O Conselho Nacional de Praticagem é contra. "O modelo brasileiro é o mesmo de países conhecidos pela defesa da livre concorrência", diz Carlos Eloy Cardoso Filho, presidente do conselho.

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