O título do best-seller O Mundo É Plano, do jornalista americano Thomas Friedman, virou a metáfora mais famosa para definir o fenômeno da globalização. Uma das vozes gabaritadas que se opõem a essa idéia é a do economista indiano Pankaj Ghemawat, professor da escola de negócios da Universidade de Navarra, na Espanha. No livro Redefinindo Estratégia Global, recém-publicado no Brasil, Ghemawat expõe alguns dos argumentos que o colocam na direção contrária de Friedman.
1 - Thomas Friedman errou feio em sua definição de globalização?
O livro dele está incrivelmente errado. Suas mais de 450 páginas não contêm sequer uma tabela ou quadro com dados que comprovem a afirmação de que o mundo é plano. A obra descreve um cenário que pode existir algum dia. E só.
2 - Por que o mundo ainda não é plano?
Apesar da conversa de um novo mundo onde idéias, informações e dinheiro podem se mover mais rápido do que antes, só uma fração do que consideramos globalização realmente existe. É como dizer que o monte Everest está se tornando mais plano a cada ano. Sim, ele está. Mas ao ritmo de 2 polegadas ao ano.
3 - A multiplicação do número e de investimentos das multinacionais, assim como os recordes de fusões e aquisições entre companhias de diferentes países, não é indício de que a globalização segue num ritmo acelerado?
A quantidade total da formação de capital do mundo que é gerada por investimento estrangeiro direto tem sido menos de 10%. Em outras palavras, mais de 90% dos investimentos ao redor do mundo é ainda doméstico. Em um ambiente completamente globalizado, era de esperar que o número fosse muito maior, em torno de 90%.
4 - O senhor também não considera significativo o atual estágio de integração do mercado financeiro?
As instituições financeiras ainda são muito dependentes de mercados locais. Vários bancos têm construído uma presença mundial e, nesse sentido, transferido habilidades para outras regiões. Também aumentou o número de capital circulando. Mas ainda é muito pouco para tratar o mercado financeiro como estando perto da globalização total.
5 - Por que analistas como Friedman cometem exageros ao tratar do fenômeno da globalização?
Eles acham que se o fluxo de informações atingiu uma velocidade sem precedentes a economia também chegou a um estágio máximo de integração. Acabam ignorando o fato de que as barreiras culturais e políticas ainda são muito significativas.
6 - O que falta para a globalização entrar num ritmo mais acelerado?
As fronteiras dos países ainda importam muito para os negócios. Veja o que aconteceu recentemente com a onda de recalls de brinquedos e outros produtos chineses nos Estados Unidos. O episódio gerou uma reação protecionista dos americanos, mostrando que a origem das mercadorias ainda é uma questão importante.
7 - Quando o mundo será realmente plano?
Talvez em 30 ou 40 anos possamos ver o desaparecimento das fronteiras.

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