A julgar por tudo o que aconteceu em janeiro -- para o bem e para o mal --, é melhor se preparar para um daqueles anos quentes. Velhos impostos sumiram. Outros velhos impostos apareceram maiores do que já eram. A ameaça de uma crise energética ganhou as páginas dos jornais. Negócios gigantescos no Brasil emergiram ou foram fechados. Os Estados Unidos ameaçam estar no limiar de uma recessão, e o resto do mundo mostra que está, sim, se importando com isso. Tudo em menos de 30 dias. Este foi um dos janeiros menos monótonos dos últimos tempos -- como fica evidente nas páginas desta edição. Nos últimos dias, os jornalistas ligados às áreas de economia e finanças tentaram compreender, traduzir e analisar o medo que tomou conta de investidores de todo o mundo e suas conseqüências para negócios e pessoas. Os teóricos estão perdidos. As teses se sobrepõem. As previsões insistem em não se realizar. Mas parece haver três convicções. 1) A turbulência -- ou crise, para alguns -- é real. 2) Ela vai nos afetar de alguma maneira. 3) Vamos, como aconteceu em outros episódios, sobreviver. A grande questão é em que estado sairemos da tormenta. As dificuldades -- em maior ou menor escala -- colocaram à prova as decisões (ou a falta delas) tomadas no passado.
O medo e as dúvidas teriam paralisado a economia brasileira e os negócios em outros tempos. Não é o que vem acontecendo até agora. Em menos de 30 dias, as negociações para a fusão entre Oi e Brasil Telecom e a formação da maior empresa de telefonia do Brasil se intensificaram. A Anglo American, uma das maiores mineradoras do mundo, comprou o controle da MMX, levando o empresário Eike Batista a se tornar, em sua própria definição, o "homem mais rico do país". A Vale, após a notícia dada em primeira mão pelo Portal EXAME, reconheceu que negocia a compra da suíça Xstrata -- operação que pode chegar a inacreditáveis 90 bilhões de dólares. O Bradesco, maior banco privado nacional, passou a valer mais na bolsa que o honorável Merrill Lynch. Nada mal para uma estréia. O ano promete.

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