Revista EXAME -
O desempenho extraordinário da Bolsa de Valores de São Paulo nos últimos anos tem feito com que um número crescente de brasileiros aplique em ações. Desde janeiro, 40 novos investidores contrataram os serviços de corretoras a cada hora e mais de 80% deles entraram no mercado de capitais via home broker, o programa que permite negociar ações pela internet. Além de mais barato do que o método tradicional via telefone, o sistema é cômodo porque permite ao investidor aplicar na bolsa de uma forma bastante semelhante à das operações de internet banking. O aplicador entra no site da corretora com uma senha para conferir as cotações e enviar os pedidos de compra ou venda. Em seguida, a ordem passa pelo servidor da corretora, que reconhece o cliente, e, em segundos, a coloca no pregão, onde o negócio é consolidado automaticamente. Por tudo isso, o home broker assiste a um crescimento vertiginoso no país -- o número de investidores online neste ano cresceu 65%, ante apenas 10% nos investimentos feitos pelo telefone, e já está prestes a ser o meio predominante na bolsa.
Para quem pretende começar a aplicar em ações, a primeira questão que se coloca é escolher a corretora mais adequada entre as cerca de 60 que já oferecem o sistema de home broker. A resposta a essa pergunta depende do quanto se pretende apli car, em que periodicidade e quais os serviços que se considera imprescindíveis. Na carioca Ágora, por exemplo, a líder em negócios via home broker, uma ordem de compra ou venda de ações custa 20 reais (veja quadro acima). Numa negociação de 10 000 reais, a taxa representa atraente 0,2%, mas numa ordem de compra ou venda no valor de 1 000 reais cresce para 2%. No Itaú e na Intra, que usam a tabela da Bovespa como referência, a ordem de 1 000 reais custaria 17,49 reais -- menos, portanto, que os 20 reais cobrados pela Ágora. Já a de 10 000 reais dispararia para 75,21 reais, quase quatro vezes mais que a concorrente carioca. Na comparação internacional, esses preços não estão fora de linha. A corretora americana Charles Schwab, por exemplo, líder mundial, adota corretagem fixa de 10 dólares por ordem de compra ou venda. No Brasil, a maior parte das corretoras cobra ainda um valor mensal para cobrir custos com a manutenção das ações, também conhecido por taxa de custódia. Antes de se decidir por uma corretora, o investidor deve fazer uma simulação do quanto pretende aplicar por mês e do quanto terá de pagar por isso.
Outra questão crucial é saber que tipo de ajuda será possível receber em casos de dúvidas sobre oportunidades de compra ou venda de ações e também quando houver problemas técnicos no site. Em algumas corretoras, os clientes simplesmente não conseguem ser atendidos pelo telefone porque o número de consultores não é suficiente. Há ainda casos de corretoras que só disponibilizam atendentes para questões técnicas a respeito do funcionamento do sistema. "Em momentos de crise, o cliente do home broker quer falar com um especialista, mas aí acontece o gargalo: corretores e analistas têm pouco tempo e o dedicam prioritariamente aos grandes investidores, que individualmente são mais representativos que os do home broker", diz Lauro Gonzalez da Silva, professor de finanças da Fundação Getulio Vargas.
| As maiores corretoras de pequenos investidores | ||
| Entre as primeiras em termos de volume negociado no home broker há preços para todos os bolsos | ||
| Corretoras | Preço cobrado em cada compra ou venda de ações | Equipe de atendimento |
| ÁGORA | Para qualquer operação: 20 reais Taxa de custódia: 6 reais nos meses em que o cliente não executar operações | Um atendente para cada 700 clientes |
| Banif | Para qualquer operação: 16 reais Taxa de custódia: Não cobra | Um atendente para cada 375 clientes |
| Bradesco | Para operações: até 10 000 reais: 0,30% de 10 000 a 50 000 reais: 0,25% de 50 000 a 100 000 reais: 0,20% de mais de 100 000 reais: 0,15% Taxa de custódia: 10,80 reais mensais até 34 882 reais e 21 reais acima disso | Um atendente para cada 2 300 clientes |
| Intra | Para operações(1): de 1 515 a 3 026 reais: 1% mais 10 reais de mais de 3 026 reais: 0,5% mais 25 reais Taxa de custódia: 15 reais mensais | Um atendente para cada 500 clientes |
| Itaú | Para operações(1): de 1 515 a 3 026 reais: 1% mais 10 reais de mais de 3 026 reais: 0,5% mais 25 reais Taxa de custódia: 30 reais mensais | Um atendente para cada 3 286 clientes |
| (1) Para operações inferiores a 1 515 reais há outra tabela de preços Fonte: Corretoras | ||
Os aplicadores que se sentem capazes de adotar uma gestão ativa, ou seja, comprar e vender ações várias vezes por mês, quando não diariamente, costumam exigir mais do que taxas atraentes. Nesses casos, dados e análises atualizados são imprescindíveis. Em várias corretoras, porém, é comum que os clientes do home broker não sejam os primeiros da lista a receber os boletins analíticos. A prioridade é dos grandes investidores, como gestores e fundos de pensão, responsáveis por operações com seis dígitos ou mais. "Para muitos profissionais do mercado financeiro, o pequeno investidor é aquele que toma tempo demais e não rende dinheiro", diz Ricardo Torres, professor de finanças da Brazilian Business School, em São Paulo. Por isso, é vital prestar atenção antes de contratar uma corretora e saber qual o tratamento dado aos investidores do home broker.
Um dos caminhos mais usados pelos pequenos investidores é abrir uma conta na corretora do banco no qual já são correntistas. A principal vantagem nesses casos é se livrar do cadastramento e do envio de documentos. O problema, no entanto, é que nem sempre a corretora do banco tem as melhores condições do mercado. Diante da gama de preços, ferramentas e pacotes oferecidos, o investidor de primeira viagem tem muito a ganhar se souber de antemão como pretende atuar na bolsa e que tipo de serviços será essencial. Quem não acertar na primeira tentativa tampouco estará condenado a grandes perdas, porque trocar de corretora é um processo razoavelmente simples.