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A volta do empreendedor serial

Com o WeShow, um serviço que seleciona vídeos na internet, o carioca Marcos Wettreich volta a surfar na onda ponto-com que o transformou em milionário
Eduardo Monteiro
Wettreich: indo na contramão da web 2.0
 
Por Ricardo Cesar  | 09.08.2007

Revista EXAME - 

Marcos Wettreich está de volta. Quem é da área de tecnologia certamente lembra do executivo jovial, com fala calma e jeito de galã, que se destacou durante a primeira onda de projetos ponto-com ao abrir empresas em série -- algumas bem-sucedidas, outras nem tanto. Wettreich desfazia-se de seus negócios quase tão rapidamente quanto os criava, geralmente embolsando um bom ganho nesse processo. Sua mais famosa empreitada foi o prêmio iBest, auto-intitulado de Oscar da internet brasileira. Os amigos reconhecem que o lado marqueteiro é um de seus principais talentos. Os desafetos dizem que é o único. Seja como for, ele não precisou de mais para ficar milionário. O passo decisivo para rechear a conta bancária -- que já tinha estourado os sete dígitos -- foi dado em 2003, quando a Brasil Telecom pagou cerca de 72 milhões de dólares pelo iBest, recém-convertido num provedor de acesso. Desde então, Wettreich distanciou-se um pouco (só um pouco) dos holofotes e, sobretudo, dos empreendimentos de web. Até agora. Em março, ele teve uma idéia que o pôs de volta no comando de uma empresa iniciante na internet: o WeShow, serviço que seleciona e organiza os milhões de vídeos que estão disponíveis em sites como YouTube, Dailymotion ou Yahoo! Video. 

Pode parecer um projeto muito simples -- e de certa forma é mesmo. Mas são essas iniciativas que, quando bem executadas, parecem ter mais chance de emplacar no mundo online. Em apenas três meses, o WeShow saiu de uma idéia para um produto acabado, com cerca de 50 pessoas trabalhando em tempo integral. Nesse breve intervalo, Wettreich trouxe a bordo investidores como Bob Pittman, co-fundador da MTV e ex-presidente da AOL, e William Sahlman, titular da cadeira de empreendedorismo da Universidade Harvard. No total, ele levantou 6 milhões de dólares em questão de semanas. Em junho, o WeShow entrou no ar em versões para o Brasil, os Estados Unidos e a Inglaterra. Até o final de agosto, estreará na França, na Alemanha e na Espanha.

A premissa do projeto é que a maioria dos vídeos presentes na web é desinteressante para qualquer pessoa, salvo, talvez, para quem os produziu. O site ajuda a peneirar os que têm qualidade e organiza esse material em canais que permitem sua rápida localização, como esportes, comédia ou música. E, sim, há também uma premiação realizada mensalmente para eleger o melhor vídeo da internet, seguindo a receita do iBest. O modelo comercial será baseado em publicidade, mas como e quando a propaganda vai ser veiculada ainda são questões em aberto. "Nunca faço plano de negócios ao iniciar um empreendimento. Quando a coisa é muito nova, é preciso elaborar um modelo e mudá-lo muitas vezes", diz Wettreich.

Conheça o WeShow
Com seu novo serviço,Wettreich quer tornar mais fácil a localização de vídeos de qualidade na internet
65 000 arquivos são postados diariamente só no YouTube. O WeShow seleciona os vídeos que acha relevantes e os separa por temas
200 canais diferentes é a quantidade de seções disponíveis no WeShow. Com isso, o serviço procura organizar os arquivos para facilitar sua localização
6 milhões de dólares foram captados para a fase inicial do projeto.As receitas virão de publicidade. O serviço exibe arquivos que estão em outros sites, dispensando a cara infra-estrutura para armazenar os vídeos
6 países serão os primeiros a ter versões do site: Brasil, Estados Unidos, Inglaterra, Alemanha, França e Espanha. Haverá conteúdo específico para cada localidade
Fonte: WeShow

O WeShow pode ser uma novidade, mas não está sozinho. Alguns concorrentes começaram a fazer barulho com projetos semelhantes mais ou menos ao mesmo tempo. Um dos principais é o americano Daily Tube, criado por Michael Caruso, um ex-editor da revista Vanity Fair. "Adoro vídeos online, mas sempre ficava frustrado quando não conseguia encontrar as boas novidades rapidamente", disse Caruso a EXAME. "Conversei com um grupo de amigos e decidimos fazer um serviço para pessoas como nós -- pessoas que amam vídeos, mas são ocupadas demais para gastar horas procurando por eles." Tanto o WeShow como o Daily Tube têm um aspecto curioso: ambos ignoram solenemente a tendência da "web 2.0", como são chamados os sites em que os próprios usuários são responsáveis por criar e organizar todo o conteúdo. Em vez disso, empregam dezenas de colaboradores para coletar e classificar os arquivos manualmente.

Será preciso esperar um pouco para ver se a bola de cristal de Wettreich funcionou novamente. Sua trajetória profissional é vertiginosa. Em 1990, ele criou a Mantel, uma bem-sucedida empresa de eventos do setor de tecnologia. Cinco anos depois, abriu a MantelMedia para publicar revistas especializadas que promovessem seus eventos. Dessa vez o negócio deu errado, e a editora afundou-se em dívidas. Paralelamente, Wettreich concebeu o iBest e, pouco depois, a MLab, uma consultoria de marketing online que acabou vendida por 36 milhões de dólares para a Neoris, controlada pelo grupo mexicano Cemex. Em 1999, o empresário conseguiu um aporte do GP Investimentos para o iBest e tentou levar o prêmio para o México e a Espanha, mas a expansão internacional fracassou. Depois que o iBest foi comprado pela Brasil Telecom, Wettreich criou o Nirvana, um spa urbano com duas unidades no Rio de Janeiro. Ainda teve tempo de escrever um livro, o Manual de Mães e Pais Separados, em que dá conselhos como "não é errado querer ser feliz" ou "culpar o outro é tão nocivo quanto culpar a si mesmo". Vendeu 10 000 cópias. A julgar pela história de Wettreich, não é preciso ter bola de cristal para prever que o WeShow logo será colocado à venda -- e que esse não deve ser o último projeto desse empreendedor serial.

 

 
 
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