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Todos querem os chineses

Hotéis, lojas, agências de viagem e companhias aéreas fazem de tudo para agradar a população de turistas que mais cresce no mundo
Por Tatiana Gianini  | 09.08.2007

Revista EXAME - 

A chegada de grupos de turistas chineses é aguardada com ansiedade pelos comerciantes de Paris. Na Galeries Lafayette, a mais famosa loja de departamentos da cidade, eles são recebidos por atenciosas funcionárias fluentes em mandarim. Outra empresa francesa, a rede de hotéis Accor, oferece serviços exclusivos, como canais de TV chineses e café da manhã inspirado no menu asiático, que inclui até macarrão. O tapete vermelho a esse público também é estendido em locais como Tailândia, Estados Unidos, Rússia e Austrália. Turistas chineses significam, hoje, basicamente dinheiro. Em 2006, mais de 34 milhões de chineses foram ao exterior, gastando 24 bilhões de dólares. Segundo as previsões dos especialistas, no ritmo atual de evolução, esse número deve chegar a 100 milhões de viajantes por ano até 2020. Com isso, a China será o maior emissor de turistas do mundo (o título hoje pertence à Alemanha, com 87 milhões de pessoas por ano).

O principal fator por trás da explosão do número de turistas é o bom momento da economia do país, que cresceu em média 10% nos últimos anos. A prosperidade deu origem a uma classe média formada hoje por 300 milhões de pessoas e também multiplicou o número de milionários. Isso criou o público que consome atualmente na China produtos de turismo. "Viajar para o exterior virou símbolo de status na China", disse a EXAME Wolfgang Georg Arlt, professor de turismo da Universidade Stralsund, na Alemanha. "É como ter um carro de luxo." Além de possuir hoje mais dinheiro no bolso, a população conta com facilidades antes não encontradas. Viajar para fora do país até a metade da década de 90 era praticamente impossível, por entraves impostos pela burocracia estatal, como os limites à concessão de vistos. Nos últimos anos, porém, o governo começou a flexibilizar as regras do mercado de turismo, fator que foi essencial para a expansão verificada atualmente no setor.

OS TURISTAS CHINESES TEM HABITOS muito diferentes, que variam de acordo com seu perfil de renda. A classe média, por limites de orçamento, raramente viaja para o exterior. Os destinos mais concorridos são Pequim, capital do país, e Zhouzhuang, conhecida como "A Veneza do Oriente" graças aos canais e pontes que entrecortam a cidade. Em 2006, o mercado de turismo interno na China registrou cerca de 1,3 bilhão de viagens, que resultaram em gastos de quase 80 bilhões de dólares -- aumento de 11% em relação ao ano anterior. Para  atender a essa demanda, o governo vem melhorando a infra-estrutura do país, com novas estradas, aeroportos e ferrovias. Paralelamente, a iniciativa privada se encarrega da multiplicação de hotéis, restaurantes, agências de viagem e lojas por todo o território. Exemplo disso é a rede de hotéis Home Inns, que oferece diárias de 22 dólares para atender à principal exigência dos chineses -- gastar pouco na hospedagem. Criada em 2002, a empresa já tem 145 estabelecimentos espalhados por 41 cidades do país.

Visitantes cobiçados
O bom momento econômico da China está aumentando o número de turistas que viajam para o exterior.Até 2020, o país deve ter o maior contingente de viajantes do mundo
Chineses que viajam para o exterior (em milhões)
1995 4,5
2000 10
2003 20
2007(1) 40
2020(1) 100
Com o aumento do número de turistas, cresceram também os gastos dos chineses fora do país (em bilhões de dólares)
1995 4
2000 13
2003 15
2005 21
2006 24
(1) Estimativa
Fontes: Organização Mundial do Turismo e China National Tourism Administration

É a classe mais abastada da China que chama a atenção dos empresários internacionais de turismo. Eles parecem ter tudo para reproduzir, num futuro próximo, o fenômeno dos japoneses nos anos 80, quando era impossível visitar um cartão-postal na Europa ou nos Estados Unidos sem trombar com sorridentes grupos de japoneses com câmeras e filmadoras nas mãos. Depois de um período em que apenas se arriscavam por roteiros em países asiáticos, os milionários chineses agora começam a ganhar o mundo. No ano passado, calcula-se que cerca de 2 milhões deles visitaram outros continentes. O número é relativamente baixo, mas deve crescer exponencialmente nos próximos anos. Diante dessa perspectiva, o mercado já começa a se movimentar. Cidades americanas como Nova York e Las Vegas abriram escritórios de representação em Xangai e Pequim. Recentemente, foi a vez de a Royal Caribbean anunciar que seus cruzeiros vão zarpar da China ou passar por ela a partir do ano que vem. "Não há como ignorar os chineses, pois eles vão ser no futuro uma das principais fontes de sustento do mercado mundial de turismo", afirma Arlt.

 
 
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