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Nos últimos anos, a São Paulo Alpargatas transformou seu principal produto -- as sandálias Havaianas -- num sucesso internacional de marketing. Um exemplo do prestígio da marca brasileira aconteceu na cerimônia de entrega do Oscar de 2006, em Los Angeles, nos Estados Unidos. As estrelas de Hollywood que concorriam à estatueta ganharam uma bolsa cheia de mimos -- entre eles um par de sandálias personalizado, com o nome da celebridade gravado. Ao todo, cerca de 100 atores e atrizes receberam o brinde. Além de calçar personalidades, as Havaianas vêm tendo presença constante nas páginas das grandes revistas estrangeiras de moda. Agora, o maior desafio da São Paulo Alpargatas -- eleita pela segunda vez consecutiva a melhor empresa do setor têxtil -- é transformar essa grande visibilidade na mídia em vendas mais expressivas para o exterior. No ano passado, a companhia, controlada pelo grupo Camargo Corrêa, exportou 20 milhões de pares de Havaianas para 79 países (no mercado interno, foram vendidos mais de 140 milhões de pares). Somando-se os valores obtidos com as vendas internacionais de outros produtos, como artigos esportivos e têxteis industriais, a Alpargatas obteve uma receita de 43 milhões de dólares em 2006, ou 6% de seu faturamento -- no mesmo período, sua concorrente Grendene exportou quase o dobro (80 milhões de dólares, 12% da receita total).
Para o executivo Márcio Utsch, presidente da São Paulo Alpargatas, esse panorama deve começar a mudar com a inauguração, no final de junho, do escritório da empresa em Nova York. "Nossa meta é dobrar as exportações em quatro ou cinco anos", diz Utsch. Comandado pela executiva americana Elaine Sugimura, o escritório terá cerca de 40 funcionários para desempenhar todas as operações da empresa, como marketing, vendas e finanças. O plano no médio prazo é quadruplicar as vendas nos Estados Unidos, atualmente em torno de 2,5 milhões de pares por ano. Para isso, a empresa está investindo 15 milhões de dólares em diversas ações de marketing, a maior parte delas destinada a atingir uma fatia de público com maior poder aquisitivo.