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Chamem os japoneses

| 08/08/2007

Com a ajuda de executivos importados de sua controladora, a CBC conseguiu colocar fim a um ciclo de quase duas décadas de prejuízos

 

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Por Everton Vasconcelos

exame

No início dos anos 90, quando as indústrias brasileiras de equipamentos pesados sofreram forte retração devido a reflexos do Plano Collor, a CBC mergulhou num longo período de prejuízos. No total, foram 16 anos de resultados negativos. A empresa só não fechou graças aos aportes financeiros de sua controladora, a japonesa Mitsubishi Heavy Industries, que considera a subsidiária brasileira estratégica para sua expansão na América do Sul. No período de vacas magras, a CBC teve de desativar sua fábrica em Varginha, Minas Gerais, o berço da empresa em 1955. Só restou o complexo industrial de Jundiaí, no interior de São Paulo, onde fica sua atual sede. Esses ajustes começaram a ser realizados em 2000, quando o engenheiro Shigeru Shimasue, gerente de qualidade de uma fábrica da Mitsubishi em Nagasaki, no Japão, foi destacado para presidir a CBC e comandar a reestruturação. Os resultados apareceram no ano passado. Enquanto os dados da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) apontaram uma queda de 1,7% no faturamento do setor de equipamentos pesados em 2006, a CBC cresceu 37% em termos reais no mesmo período. Sua receita atingiu 179 milhões de dólares, e a empresa contabilizou lucro de 26 milhões de dólares.

O presidente da CBC e outros cinco executivos japoneses indicados pela matriz para ocupar diretorias estratégicas conseguiram implantar um programa para reduzir custos. Os principais produtos da CBC são caldeiras, trocadores de calor e vasos de pressão utilizados por indústrias de papel e celulose, siderurgia e petroquímica. Como cada caldeira pode custar até 150 milhões de dólares e demorar dois anos para ficar pronta, a CBC passou a enviar à Mitsubishi estudos da análise de risco dos projetos, antes de participar de qualquer concorrência. "Com esses estudos, nossa chance de errar diminuiu consideravelmente", diz Shimasue. Além de realizar uma avaliação mais criteriosa dos custos, a empresa investiu na capacitação dos funcionários, conseguindo a homologação de vários novos certificados internacionais de qualidade, como o ISO 9001. Esses ajustes foram fundamentais para aproveitar o ambiente favorável aos negócios da CBC. Os principais clientes da empresa lucraram nos últimos tempos com a valorização do preço das commodities e multiplicaram os pedidos de compras de máquinas e equipamentos.

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Olavo Setubal, do Itaú, em foto de 2006
 

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