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No dia 1o de maio de 2006, o presidente da Bolívia, Evo Morales, anunciou a nacionalização das reservas, refinarias e dutos de gás e petróleo do país. A medida atingiu em cheio a estatal brasileira Petrobras e azedou as relações entre os dois países. No entanto, como costuma ocorrer em qualquer crise, o episódio criou oportunidades de negócios para quem estava preparado para aproveitá-las. Para diminuir a dependência do combustível boliviano, a Petrobras lançou um plano de emergência para acelerar a produção de gás natural no Brasil. E uma das empresas beneficiadas com isso foi a paulista Engevix Engenharia, que venceu uma licitação da estatal para construir a infra-estrutura da ampliação da unidade de tratamento de gás de Cacimbas, em Linhares, no Espírito Santo. O contrato assinado com a Petrobras, no valor de mais de 500 milhões de reais -- que representam 50% da atual carteira de negócios da Engevix --, garantiu à empresa um resultado excepcional em 2006. Sua receita no ano atingiu 262 milhões de dólares, um crescimento de 125% em relação à cifra de 2005.
null O ano de 2006 foi bom também para o setor de construção em geral. De acordo com a Associação Brasileira da Infra-Estrutura e Indústrias de Base (Abdib), as obras de infra-estrutura receberam no ano passado investimentos de 65,7 bilhões de reais, 13% mais do que o valor gasto em 2005. Liderado pela Petrobras, o segmento de petróleo e gás foi o que mais investiu, com 45% do total apurado no levantamento da Abdib. É nesse ambiente aquecido de negócios que a Engevix conseguiu fechar seu maior contrato com a estatal. As obras em execução no Espírito Santo vão suprir de 12% a 15% do gás natural que o Brasil comprava da Bolívia antes da crise provocada pelo presidente Morales. O projeto é tão vital que a Engevix montou em sua sede, em Barueri, na região metropolitana de São Paulo, um telão para transmitir imagens em tempo real dos trabalhos em andamento em Linhares, a mais de 1 000 quilômetros de distância. "O acompanhamento precisa ser rigoroso, já que há um grande número de eventos a realizar até o fim dos trabalhos, em 2009, um prazo muito curto", diz Gerson de Mello Almada, vice-presidente e também sócio da Engevix. "Esse contrato é o maior desafio para a Engevix em sua história."

Brasil está diante de um de seus maiores desafios tecnológicos: tirar o petróleo do pré-sal.
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