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Plano para o recomeço

| 08/08/2007

Após o fim da parceria com a Schering-Plough, a Mantecorp quer mostrar que pode continuar lucrativa andando com as próprias pernas

 

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Por Mariana Sgarioni

exame

O laboratório Mantecorp, do Rio de Janeiro, fechou o ano de 2006 com excelente desempenho. Sua receita atingiu 523 milhões de dólares, 27% mais do que o resultado do ano anterior. A taxa de rentabilidade de 52% é quase três vezes acima da mediana do setor -- e a oitava melhor marca entre as empresas do ranking das 500 maiores do país. Esses resultados foram obtidos ainda com a ajuda da americana Schering-Plough, com quem a família Mantegazza, dona da Mantecorp, manteve uma associação que durou 17 anos. Em junho de 2006, as duas partes anunciaram um acordo para a dissolução da parceria, para que cada uma possa seguir no mercado brasileiro de forma independente. Na prática, a separação se concretizou em dezembro. A mudança colocou diante da Mantecorp o desafio de reinventar o negócio para mostrar que pode continuar lucrativa andando com as próprias pernas.

O fim da joint venture foi decidido por iniciativa da Schering-Plough -- a matriz americana resolveu assumir o controle das operações em todos os países onde mantinha associações com empresas locais. Para a Mantecorp, a ruptura significou, da noite para o dia, cair da nona para a 16a posição no ranking dos maiores laboratórios farmacêuticos do país, de acordo com o IMS Health, instituto que monitora o setor. Na partilha dos ativos, a Mantecorp manteve a fábrica do bairro de Jacarepaguá, no Rio, e 26 dos 40 medicamentos que eram produzidos pela joint venture, como o antigripal Coristina, o antialérgico Polaramine e o antiinflamatório Quadriderm. Em linhas gerais, a Mantecorp ficou com os produtos que o consumidor compra na farmácia sem necessidade de prescrição médica, enquanto a Schering-Plough manteve os medicamentos vendidos com receita -- os mais lucrativos, por terem maior valor agregado. "A Schering-Plough reteve a melhor parte do negócio, e a Mantecorp ficou com os medicamentos de menor margem de lucro", diz o economista Frederico Turolla, professor da Fundação Getulio Vargas de São Paulo. "Para permanecer de pé, a Mantecorp vai ter de ampliar consideravelmente sua linha de produtos e abrir novas frentes."

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