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Uma música popular riquíssima, o melhor futebol do planeta, um povo bonito, alegre e amistoso, quase 8 000 quilômetros de praias banhadas por sol na maior parte do ano e um naipe inigualável de outras grandes atrações, da exuberância amazônica à explosão de vida selvagem da região do Pantanal. Durante décadas, o Brasil dormiu nesse berço esplêndido e ufanista, imaginando que, naturalmente, cedo ou tarde, hordas de estrangeiros fariam filas nas alfândegas dos aeroportos nacionais para conhecer tudo o que há de bom por aqui. O tempo passou e a "invasão" não aconteceu. Foi necessário um longo período para se constatar dois fatos óbvios diante do fracasso do país nessa área. Um deles é que o Brasil não detém a exclusividade sobre as belezas do planeta. Outra questão importante é que, sem investimentos sérios em turismo -- da promoção da imagem no exterior à melhoria da infra-estrutura para receber visitantes --, o país corre o risco de ficar relegado para sempre a uma espécie de segunda divisão de um dos setores mais ricos, dinâmicos e competitivos da economia global.
O choque de realidade ajudou a despertar o Brasil para o mercado do turismo. Nos últimos anos, graças a um conjunto inédito de esforços dos setores público e privado, o país deixou a condição de eterna promessa do setor para se transformar num competidor sério. Os resultados desse movimento já aparecem nas estatísticas -- e são muito relevantes. De uma década para cá, apresentamos uma das maiores taxas de expansão do mundo na área. Segundo a Organização Mundial de Turismo (OMT), enquanto o número de passageiros de viagens internacionais cresceu em média 50% no planeta entre 1995 e 2005, o aumento registrado no mesmo período no Brasil foi de 170%.
Em razão da multiplicação do fluxo de visitantes, a receita cambial gerada pelo turismo atingiu um patamar recorde no ano passado, totalizando 4,3 bilhões de dólares. Resultado: o setor já é o quinto principal produto da balança comercial brasileira, atrás apenas de minério de ferro, petróleo bruto, soja em grãos e automóveis. O dinheiro trazido pelos turistas ajuda a movimentar um mercado que fatura mais de 100 bilhões de reais por ano e emprega mais de 2 milhões de pessoas no país. Não foi por acaso, portanto, que o Brasil entrou recentemente na mira dos grandes grupos estrangeiros de hotelaria. De uma década para cá, mais de uma centena de redes internacionais chegaram aqui. Elas são responsáveis por dois em cada dez novos estabelecimentos que estão sendo erguidos.

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