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Será o estouro da bolha?

| 22/03/2007

A crise nos financiamentos imobiliários nos Estados Unidos faz crescer as incertezas sobre a economia

 

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Por Giuliana Napolitano

exame

A baiana Betânia Cavalcanti vivia na costa oeste dos Estados Unidos há dez anos quando decidiu se mudar para a Flórida com a filha e o marido em 2005. O motivo era o sonho da casa própria. Como os preços dos imóveis na Califórnia já estavam inacessíveis para a família, a solução foi a mudança. Nos últimos dois anos, Betânia não comprou apenas uma mas três casas em seu nome na região entre as cidades de Miami e Boca Raton. Além de ter um teto próprio, ela queria ganhar dinheiro em um mercado em que os preços sempre insistiam em subir. O mais revelador é o fato de Betânia estar desempregada -- e nenhuma das empresas que financiaram quase 100% dos imóveis ter pedido sequer um comprovante de renda. Um caso isolado de crédito concedido de forma irresponsável pode não significar grande coisa. Quando essa prática é disseminada em boa parte do mercado de crédito imobiliário americano, o mundo fica em suspense. A inadimplência no setor de imóveis vem batendo recordes sucessivos. Só neste ano, quase duas dezenas de instituições financeiras do segmento conhecido como subprime -- voltado para a concessão de financiamentos para clientes de alto risco, fatia correspondente a 20% do mercado -- relataram problemas em suas operações. Cinco delas fecharam as portas ou pediram falência.

No último dia 13, teve-se uma prova do que tira o sono de boa parte dos americanos. A New Century Financial, uma das maiores firmas independentes de financiamento imobiliário dos Estados Unidos, declarou não ter caixa suficiente para saldar suas dívidas e começou a ser investigada por fraude contábil. A notícia provocou uma imediata onda de baixas nas bolsas de valores mundiais. O Índice Dow Jones, da bolsa de Nova York, caiu 2%, enquanto o Ibovespa perdeu 3% em um dia. Mais do que balançar os mercados, a principal conseqüência dessa piora do cenário foi reacender as dúvidas sobre o tamanho do ajuste que deve ocorrer no setor imobiliário. Voltaram os temores de que os Estados Unidos podem estar diante de uma aterrissagem de emergência. A construção e a venda de casas, apartamentos e escritórios é uma das maiores locomotivas da economia americana há quase uma década. Cerca de 10% do produto interno bruto do país depende diretamente desse setor.

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Olavo Setubal, do Itaú, em foto de 2006
 

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