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Imagine se uma fabriqueta de fundo de quintal, nascida num país emergente castigado pela burocracia e pela corrupção, prosperasse a ponto de comprar uma parcela de uma poderosa e tradicional multinacional americana, líder de mercado no setor. Tal como se algum dia a Embraer comprasse parte da Boeing. Guardadas as proporções, foi o que aconteceu em 2004, quando a Lenovo, fabricante chinesa de computadores, engoliu, por 1,25 bilhão de dólares, a divisão de PCs da IBM. Na época, a IBM-PC faturava quatro vezes mais que a Lenovo. Para ultraje do nacionalismo ianque e glória do nacionalismo chinês, o negócio rendeu manchetes nos quatro cantos do planeta. Fruto de empreendedorismo, persistência e sorte de um grupo de engenheiros eletrônicos chineses, a Lenovo nasceu num galpão empoeirado numa periferia de Pequim. Mas até a recente publicação de The Lenovo Affair, de autoria do jornalista chinês Ling Zhijun, sua história era desconhecida no Ocidente.
No livro, Zhijun revela em detalhes a saga da empresa ao longo das últimas duas décadas. E, como em toda saga que se preze, também tem um herói: Liu Chuanzhi, de 62 anos, principal criador e o dínamo por trás da empresa. Graças ao sucesso da Lenovo, Chuanzhi, um profissional com aptidão técnica limitada, mas com tremenda capacidade de liderança e visão, tornou-se uma estrela do capitalismo vermelho -- a ponto de ficar conhecido como o Jack Welch chinês.
