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Quando surgiu na cidade americana de Dallas, em 1985, a rede de videolocadoras Blockbuster quase imediatamente começou a varrer do mercado as pequenas empresas familiares, introduzindo um conceito que representava, na época, uma novidade -- grandes lojas, atendimento de primeira e oferta monumental de títulos. A fórmula foi replicada em vários países, com o mesmo efeito arrasa-quarteirão sobre a concorrência. Por essas características, a Blockbuster acabou ficando conhecida como o "McDonald's das videolocadoras". Passadas duas décadas, a situação é bem diferente. A Blockbuster deparou com o avanço brutal da tecnologia e com a mudança no comportamento de consumo que ela trouxe. Tornou-se vítima dos novos tempos. O negócio que era revolucionário ficou quase obsoleto. Em vez de alugar DVDs em locadoras, um número cada vez maior de pessoas hoje prefere comprar os filmes em supermercados, encomendá -los pela internet ou fazer o download dos títulos no computador. Ao mesmo tempo, a concorrência dos canais de TV a cabo aumentou consideravelmente. Esse conjunto de fatores vem provocando uma formidável sangria no movimento de público da empresa -- e ela se reflete diretamente na sucessão de resultados negativos. Somados os números de 2004 e 2005, a Blockbuster acumulou prejuízo de quase 2 bilhões de dólares.
Para muitos especialistas, tais resultados não deixam dúvida: a empresa é um dinossauro em processo de extinção. A rede está fazendo mudanças para tentar se adaptar aos novos tempos e espera colher resultado positivo ao final de 2006, mas há um enorme ceticismo quanto às reais chances de sucesso. Uma das medidas do plano de emergência é o remédio clássico das empresas em dificuldades: corte de custos. Até 2007, a meta é ceifar 150 milhões de dólares em despesas. Para viabilizar essa economia, a companhia eliminou cargos de sua estrutura corporativa e vem reduzindo o tamanho da rede. No primeiro semestre deste ano, fechou 427 lojas e abriu apenas 84 pontos de locação. Somente na Espanha foram fechados, em março, os 95 estabelecimentos existentes -- a empresa preferiu encerrar as operações no país. O Brasil é outro território onde a rede enfrenta dificuldades. Comandada atualmente pelo executivo Arthur Negri, a filial registrou perdas nos sete primeiros anos de vida, começou a se recuperar em 2002, mas voltou a entrar no vermelho no ano passado -- o prejuízo foi de 5 milhões de reais. No mundo, restam hoje 8 700 lojas da companhia, o menor número nos últimos anos.
