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A curiosidade de abrir um e-mail com fotos inéditas de Marcola, chefe do grupo criminoso Primeiro Comando da Capital (PCC), ou com o ensaio que a ex-Big Brother Brasil Mariana Felício fez para a revista Playboy pode ser irresistível para alguns. E é só desse impulso que os fraudadores digitais precisam para roubar informações preciosas de quem mordeu a isca: os dois exemplos são casos reais de mensagens que circulam pela internet com um programa espião oculto. Ao clicar no e-mail, um software é baixado no computador. Sem que o usuário perceba, são coletados números de contas bancárias e de cartões de crédito e as respectivas senhas. A vítima só vai descobrir o golpe quando aparecer um rombo em sua conta corrente. Os 26 milhões de brasileiros que acessam serviços bancários online sabem que a internet é a maneira mais prática e confortável para se relacionar com seu banco. Mas o tom dos elogios cai sensivelmente em relação a outro quesito: a segurança. O principal responsável por isso é o golpe do phishing, modalidade de fraude eletrônica em que mensagens falsas são enviadas para enganar os clientes. O problema não é novo, mas tem crescido de forma tão assustadora que já superou o volume de vírus de computador. Diariamente, quase 8 milhões de e-mails de phishing são disparados para usuários de todo o mundo, em especial do Brasil e dos Estados Unidos. No primeiro semestre de 2005, a média diária era de 5,7 milhões de tentativas. É um verdadeiro arrastão no mundo digital.
Essa onda de ações eletrônicas criminosas acendeu o alerta amarelo nos bancos. Só no ano passado, os prejuízos com fraudes eletrônicas no mercado nacional ultrapassaram 300 milhões de reais. As instituições financeiras ainda investem 1,2 bilhão de reais por ano para atualizar seus mecanismos de combate às fraudes eletrônicas, segundo a Federação Brasileira de Bancos (Febraban). Os arranhões na imagem das empresas são atenuados pelos contratos de confidencialidade que os clientes ressarcidos são obrigados a assinar. Mas há sempre um ou outro episódio que vêm à tona. Há algumas explicações para a recente onda de golpes na internet. Um dos fatores que contribuíram para isso é que os criminosos aprimoraram as técnicas empregadas para ludibriar os correntistas. A forma mais comum de phishing, em que os e-mails simulam ser uma comunicação oficial dos bancos, continua em voga. Mas novos temas mostraram-se mais eficazes em persuadir as pessoas -- seja fotos sensuais, seja uma mensagem com o logotipo da empresa em que a vítima trabalha, supostamente enviada pelo departamento de recursos humanos. A situação parece estar tão fora de controle que há casos de phishing de voz. A nova modalidade usa e-mails que levam os usuários a telefonar para um 0800 também falso. A enganação começa na internet e termina com a ajuda da lábia, a mais antiga arma dos estelionatários.
O CRESCIMENTO DAS VENDAS de computadores pessoais para as classes C e D, impulsionado por fatores como o real valorizado e incentivos fiscais, contribui para o aumento no número de ataques. O passo seguinte de quem adquire o primeiro PC é conectá-lo à rede. Mas esses internautas de primeira viagem desconhecem os procedimentos básicos de segurança na web. Muitos acreditam em e-mails que pedem seus dados bancários ou clicam em links suspeitos. Cristine Hoepers, analista de segurança do CERT.br, órgão do Comitê Gestor da Internet que registra mensagens fraudulentas, spams e ataques de vírus, aponta ainda outro fator: o crescimento vertiginoso da banda larga. Como as conexões de alta velocidade geralmente permanecem ativas todo o tempo em que o PC está ligado, os cuidados de segurança têm de ser redobrados.

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