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Depois de uma entressafra de investimentos que durou pelo menos três anos, uma nova injeção de capital de risco está chegando ao país. Existem pelo menos dez novos gestores de fundos de private equity já investindo ou em fase de levantamento de capital -- bilhões de dólares que serão injetados em empresas brasileiras. Esse grupo de estreantes, formado por nomes ainda pouco conhecidos, como Tarpon, AG Angra e Governança & Gestão (G&G), vem captando dinheiro a taxas asiáticas. Nos últimos 12 meses, seis desses fundos captaram 815 milhões de dólares e até o fim do ano os recursos reunidos por esse novo time devem alcançar 2 bilhões de dólares. É uma soma considerável, sobretudo levando-se em conta o retrospecto dessa atividade no país -- a quantia levantada pelos novos fundos será equivalente a quase 30% do que todo o setor de private equity movimenta hoje no Brasil. Para as empresas brasileiras, ainda carentes de fontes de financiamento, a chegada dessa leva de investidores é uma ótima notícia. "A entrada de novos recursos sempre torna o crédito para os negócios mais barato", afirma Marcus Regueira, presidente da Associação Brasileira de Gestores de Fundos de Private Equity e Capital de Risco (ABVCAP).
O maior motor dessa euforia é o crescimento do mercado de capitais brasileiro. Em geral, os fundos de private equity compram participações em empresas para tentar valorizá-las e vendê-las no futuro. Com o fortalecimento da bolsa, esse movimento de saída ficou mais fácil, mais lucrativo e, por essa razão, mais atrativo. Das últimas 20 ofertas públicas de ações feitas na Bovespa, 13 foram de empresas que tinham fundos de private equity entre seus acionistas. Juntas, essas companhias levantaram mais de 4 bilhões de dólares em suas emissões de ações. "Não há dúvida de que a chegada desses novatos ocorre graças às melhores oportunidades de negócio no país, à liquidez do mercado e ao desenvolvimento da bolsa de valores, que propicia a saída dos investidores dos fundos", afirma o professor Cláudio Vilar Furtado, coordenador do Centro de Estudos de Private Equity e Venture Capital da Fundação Getulio Vargas. Outro fator também tem estimulado a entrada de novos gestores. Em 2003, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) criou uma legislação que torna mais transparente a administração das empresas que recebem esse tipo de investimento -- normalmente companhias de capital fechado, pouco acostumadas a prestar contas. Com isso, elas agora são obrigadas a apresentar ao fundo a demonstração de seus resultados, a relatar os contratos que têm com companhias co ligadas e a eleger um conselho de administração. A transparência, claro, diminui os riscos inerentes ao negócio. Menos risco normalmente significa mais investimento.
No radar desses novos fundos, os setores que oferecem melhores oportunidades atualmente são os de infra-estrutura, agronegócio, energia, varejo e imobiliário. É nessas áreas que os gestores começam a concentrar seu dinheiro. Veja o caso da Tarpon, administradora de recursos que tem em carteira aproximadamente 580 milhões de reais num fundo de private equity. Fundada em 2002, a Tarpon tem entre os sócios o administrador paulista José Carlos Reis de Magalhães, conhecido como Zeca e tido no mercado como uma espécie de gênio precoce das finanças. Com apenas 28 anos, Zeca tem passagens por empresas como GP, Semco e pelos bancos JP Morgan e Patrimônio. Neste ano, comandou a primeira tacada da Tarpon na área de private equity ao associar-se a um grupo de investidores, entre os quais o empresário Elie Horn, dono da construtora Cyrela. Juntos, eles criaram a BrasilAgro. Seu objetivo é comprar e arrendar propriedades rurais onde serão desenvolvidas atividades como o plantio de cana-de-açúcar, grãos e outras culturas. Os executivos da empresa, que fez sua estréia na bolsa em maio, anunciaram há alguns dias que estão prestes a fechar a compra de seus três primeiros terrenos.