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O ano de 2006 vai entrar para a história da indústria de tecnologia no Brasil. O mercado de PCs deve atingir 7 milhões de unidades vendidas até o final do ano, de acordo com o instituto de pesquisas IDC. Mas existem duas outras notícias igualmente importantes por trás desse número. A primeira é que nunca se venderam tantos computadores de marca no país. Até bem pouco tempo atrás, sete de cada dez novos micros eram de pequenos montadores, aquele conhecido do amigo do primo que entregava um computador perfeitamente funcional por um preço imbatível -- mas recheado de componentes contrabandeados e programas piratas. Hoje, segundo o IDC, pouco mais da metade vem do que se conhece como mercado cinza, e a tendência é que essa participação caia ainda mais. A segunda notícia é que uma empresa nacional, a Positivo Informática, de Curitiba, tornou-se a maior vendedora de computadores do país, à frente de gigantes mundiais como Dell, HP e Lenovo, a empresa chinesa que comprou a antiga divisão de computadores pessoais da IBM. Com estratégia concentrada nas grandes redes de varejo e nos consumidores que compram seu primeiro PC, a Positivo desbancou os líderes mundiais em um dos mercados que mais crescem no mundo.
São três os motivos para o avanço dos computadores legalizados. O mais importante deles foi a medida provisória que isentou máquinas de mesa de até 2 500 reais (e laptops de até 3 000 reais) do pagamento de PIS e Cofins e significou redução imediata de cerca de 10% nos preços desde o final do ano passado. A valo rização do real diante do dólar barateou discos rígidos, processadores e placas-mãe, os itens mais caros na composição do preço de um PC. Finalmente, houve ação decisiva da Polícia Federal na fronteira entre Brasil e Paraguai, de onde vinha a maioria dos componentes contrabandeados. "Quando há atuação da polícia, percebemos aumento automático na demanda por computadores legalizados", diz Fernando Loureiro, diretor de assuntos corporativos da Dell. Graças a esses três fatores, a diferença de preço entre uma máquina sem procedência conhecida e uma de marca -- com garantia e assistência técnica autorizada -- deixou de ser decisiva na hora da compra. "A legalização do mercado está tirando a única vantagem competitiva dos montadores", diz Flávio Haddad, presidente da Lenovo.
