A paranaense Positivo Informática comemorou em junho de 2006 a produção de seu computador de número 1 milhão. Foi o marco de uma estratégia de diversificação bem-sucedida. Braço tecnológico de um grupo que atua há 17 anos nas áreas de educação, gráfica e informática, a Positivo decidiu, há pouco mais de dois anos, que era hora de deixar de vender microcomputadores apenas ao setor público e empresas e partiu para a ofensiva no mercado varejista. Em 2004, com produção de 100 000 unidades, a empresa assumiu a liderança em venda de PCs ao varejo. No ano seguinte, a Positivo praticamente quadruplicou a produção, deixando para trás multinacionais como Dell e HP. Somente no mês de dezembro de 2005, vendeu cerca de 60 000 computadores, dois terços dos quais chegaram aos consumidores por meio de cadeias de lojas, como Casas Bahia, Magazine Luiza e Ponto Frio. "Conquistamos quase metade do mercado das grandes redes", afirma Hélio Rotenberg, de 44 anos, fundador e principal executivo da Positivo Informática. No total, a empresa brasileira já responde por 9,5% do mercado de PCs, segundo o instituto de pesquisas IDC.
| As maiores | ||
| Classificação das empresas por receita operacional bruta — em US$ milhões | ||
| 1 | IBM | 2 008,8 |
| 2 | HP Brasil | 1 303,6 |
| 3 | LG-SP | 846,9 |
| 4 | Xerox | 650,0 |
| 5 | Itautec | 606,5 |
| 6 | Serpro | 527,1 |
| 7 | Microsoft | 435,9 |
| 8 | Computer Associates | 399,6 |
| 9 | Unisys | 370,0 |
| 10 | Intel | 324,8 |
Com o avanço surpreendente no mercado, a Positivo obteve crescimento de 150% na receita em 2005, para 308 milhões de dólares. Não é apenas uma expansão muito superior à de qualquer concorrente -- trata-se da segunda maior taxa de crescimento entre todas as participantes desta edição de MELHORES E MAIORES. Esse é um dos indicadores que lhe valeram pontos para ser a melhor do setor de tecnologia e computação.
As políticas governamentais de incentivo vêm ajudando os fabricantes de computadores a colher bons resultados. Rotenberg reconhece que teve uma boa mão do programa Computador para Todos e da MP do Bem, que isentou do pagamento de PIS e Cofins os micros de até 2 500 reais -- reduzindo os preços --, além de facilitar o financiamento para os de até 1 400 reais. Mas as ações oficiais não surtiriam efeito se a empresa não tivesse investido em infra-estrutura e em um modelo de negócios que oferece respostas ágeis às demandas do mercado. "Estávamos prontos quando a oportunidade chegou", diz Rotenberg. "Lançamos computadores a preços populares em março de 2005, bem antes da decisão do governo, enquanto nossos concorrentes ainda consultavam as matrizes no exterior."
O desempenho da Positivo, portanto, faz parte de um momento especial do mercado de PCs. Em 2005, pela primeira vez em dez anos, caiu a participação dos equipamentos contrabandeados ou de origem desconhecida no total das vendas. De acordo com o IDC, foram comercializados no país 5,5 milhões de computadores, 36% mais que em 2004. Desse volume, 61% originaram-se no mercado informal -- um ano antes, a taxa estava em 74%. "É uma queda consistente, com perspectivas positivas para 2006", afirma Mauro Peres, consultor do IDC.
Essa tendência, somada ao maior acesso da população aos computadores, deu forte impulso a toda a cadeia de produção. "É um efeito dominó que atinge desde quem produz gabinetes até quem monta placas", diz Ruy de Salles Cunha, presidente da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica. As vendas de produtos de informática cresceram 18%, totalizando 24 bilhões de reais em 2005.
Valendo-se de sua flexibilidade e conhecimento do mercado, a Positivo apostou em soluções talhadas para as necessidades do consumidor brasileiro. Foi o caso do PCTV, que incorpora várias funções, permitindo, por exemplo, sintonizar canais de TV e emissoras de rádio. Lançado em novembro de 2005, com preços em torno de 1 800 reais, em sete meses já foram vendidas 50 000 unidades do PCTV. Para atender ao crescimento, a fábrica da Positivo em Curitiba está sendo modernizada e ampliada com investimentos que começaram em 2005 e totalizarão 130 milhões de reais até o fim de 2006. "Está ocorrendo no mercado de PCs um boom semelhante ao registrado na telefonia celular, que conseguiu atrair os consumidores das classes C, D e E", diz Rotenberg. "E nós estamos preparados para isso."

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