A Petrobras não quer ser apenas gigante na produção de petróleo. Depois de conquistar a auto-suficiência e de definir sua vocação como empresa de energia, a estatal tem outros planos. Eleita a melhor do setor em 2005, com crescimento de 11,9% nas vendas -- que ultrapassaram os 61 bilhões de dólares --, a primeira posição em liderança de mercado e a quarta em rentabilidade, a Petrobras está voltando a fortalecer sua presença na petroquímica. Para avançar nessa área, programou investimentos de 2 bilhões de dólares ao longo dos próximos quatro anos. "A competência em refino e a sinergia entre nossos negócios favorecem a expansão no setor", diz José Sérgio Gabrielli, presidente da empresa. "Queremos ter participação expressiva principalmente em petroquímicos básicos e resinas."
| As maiores | ||
| Classificação das empresas por receita operacional bruta — em US$ milhões | ||
| 1 | Petrobras | 61 457,5 |
| 2 | Braskem | 6 467,3 |
| 3 | Refap | 3 720,7 |
| 4 | Copesul | 3 094,2 |
| 5 | Bunge Fertilizantes | 2 144,9 |
| 6 | Basf | 2 043,8 |
| 7 | Petroquímica União | 1 679,1 |
| 8 | Dow | 1 612,4 |
| 9 | Rhodia | 1 162,3 |
| 10 | Syngenta | 1 071,6 |
Por meio da Petroquisa, a Petrobras chegou a ser acionista de 36 empresas, cujo conjunto respondia por mais de 70% da produção brasileira de petroquímicos até o início da década de 90. Com o programa de privatização, a partir de 1992, a Petrobras reduziu sua participação a nove empresas, incluídas as três centrais que ajudou a implantar: a Copesul, no Rio Grande do Sul, a Petroquímica União (PQU), em São Paulo, e a Copene, na Bahia, a qual deu origem à Braskem. O marco da retomada dos investimentos da Petrobras na petroquímica se deu com a construção do complexo Riopol, inaugurado no ano passado em parceria com Unipar, Suzano Petroquímica e BNDESPar. A Riopol é a única central do país que reúne numa mesma unidade a produção da primeira e da segunda geração de produtos petroquímicos.
O retorno da Petrobras está sendo tão saudado quanto temido. Para especialistas, a retomada de seus investimentos deverá trazer avanços tecnológicos. "A petroquímica brasileira parou no tempo. Até hoje o país não produz silicone e acrílico, produtos antiqüíssimos na genealogia do setor", afirma Fábio Silveira, diretor da RC Consultores. Mas também se teme que a entrada de uma empresa de seu porte tenha impacto no desempenho das concorrentes, em especial da Braskem, controlada pelo grupo Odebrecht, que cresceu no vácuo deixado pela saída da Petrobras da petroquímica nos anos 90. "É legítimo o interesse da Petrobras em voltar à petroquímica, mas é preciso que outras empresas também sejam competitivas", diz José Ricardo Roriz Coelho, diretor da Suzano Petroquímica e presidente do Sindicato da Indústria de Resinas Sintéticas no Estado de São Paulo.
O que assusta, além do gigantismo da Petrobras, é seu poder como principal fonte de suprimento de matérias-primas das indústrias petroquímicas. "O mercado não tem mais condições de absorver os aumentos nos preços do petróleo", afirma Coelho. A maior queixa, no momento, é em relação à alta da nafta, derivado do petróleo utilizado como insumo pelas centrais, que elevou os custos de produção e comprimiu as margens do setor. Em maio de 2006, a nafta estava cotada a 600 dólares por tonelada, quase 50% acima do valor do segundo semestre de 2004, enquanto o preço dos polietilenos seguiu trajetória de queda nesse período.
A questão do aumento da presença da estatal na petroquímica é polêmica. Mas o que ninguém duvida é da disposição da Petrobras de retornar com força. Com o grupo Ultra e o BNDES, investirá no Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro, em Itaboraí, previsto para entrar em operação em 2012 e inaugurar uma nova tecnologia que utilizará petróleo pesado para a produção de insumos petroquímicos. Ao redor da unidade serão construídas fábricas de resinas, a chamada segunda geração petroquímica. Outra incursão nessa área é a Petroquímica Paulínia, com investimentos de 700 milhões de dólares e 60% de participação da Braskem. O projeto incluirá uma fábrica para 300 000 toneladas anuais de polipropileno a partir de 2008. Também estão nos planos a Petroquímica Suape, em Pernambuco, que produzirá 550 000 toneladas por ano de PTA, usado em embalagens PET e fios de poliéster, e uma indústria de ácido acrílico e derivados no Complexo Acrílico, na região metropolitana de Belo Horizonte.