Onipresença estatal
| 01/06/2006
A participação do Banco do Brasil no volume de crédito agrícola é mais de quatro vezes maior que a do segundo colocado, o Bradesco
Publicidade
exame
O ranking dos bancos no agronegócio brasileiro mostra um franco predomínio do financiamento estatal sobre o privado — o Banco do Brasil aparece na primeira colocação com ampla margem sobre o segundo colocado, o Bradesco. Contabilizadas as participações dos outros bancos
estatais, a concessão do financiamento rural pelas mãos do governo atinge quase 60% do volume total. Trata-se de uma evidência de um conhecido problema do setor agrícola — a pequena participação de fórmulas mais modernas de financiamento à produção, como os títulos garantidos pela atividade rural e os contratos futuros agropecuários. Sem tais instrumentos, na prática o produtor se vê na dependência do crédito do governo para financiar a produção. Da forma como funciona hoje o setor rural, os bancos privados são pouco atraídos para participar do financiamento à atividade. Para a maioria das instituições bancárias, o crédito à produção agrícola só é realizado para cumprir uma determinação do governo. O Banco Central obriga os bancos a destinar 25% de todo o dinheiro depositado nas contas correntes a empréstimos agrícolas, com juros fixados em 8,75% ao ano. Uma instituição financeira pode ganhar quatro vezes mais se usar esse dinheiro para conceder um empréstimo convencional. Além disso, a atividade agrícola é de alto risco: além das incertezas climáticas, o produtor enfrenta variações abruptas de preço, o que eleva a probabilidade de inadimplência. É por isso que os especialistas recomendam uma mudança na estrutura do crédito rural, que poderia ser muito mais calcado em instrumentos financeiros mais sofisticados, tanto para proteger o empresário de quebras de safra quanto para antecipar o dinheiro necessário à produção.
Por favor, informe seus dados na caixa à direita para ler o restante do texto.