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Tecnologia, a força do campo

| 01/06/2006

A pesquisa agropecuária foi fundamental para aumentar a competitividade do Brasil. Mas os investimentos não podem parar

 

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Por Ernesto Yoshida

exame

Nos últimos 30 anos, o Brasil acumulou um estoque de conhecimento em agricultura tropical sem paralelo no mundo. O grande divisor de águas foi a fundação da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), em 1973, peça-chave para a espetacular expansão do agronegócio desde então. Quando a Embrapa foi criada, o país colhia 35 milhões de toneladas de grãos espalhados em 24 milhões de hectares. Neste ano, a estimativa é de mais de 120 milhões de toneladas em 47 milhões de hectares -- ou seja, enquanto a área plantada dobrou de tamanho, a produção mais que triplicou, o que corresponde a um aumento de produtividade de quase 80%. Esse formidável salto só foi possível graças a uma série de tecnologias desenvolvidas para as condições ambientais do país. O caso mais expressivo é o da soja, planta de clima temperado que foi adaptada para regiões de baixa latitude. Na busca por "tropicalizar" a planta, a Embrapa lançou mais de 200 novas variedades de soja. O sucesso no terreno científico vem rendendo muito dinheiro ao país -- só em 2005 as exportações de soja geraram divisas de 9,5 bilhões de dólares.

O desafio agora é manter o pé no acelerador. "A tecnologia foi a alavanca de nossa competitividade, mas ela exige investimentos permanentes", diz Roberto Rodrigues, ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. "Não podemos parar nunca." Uma das dificuldades para o Brasil não ficar para trás na corrida tecnológica é que as pesquisas em áreas emergentes, como biotecnologia e agroenergia, são cada vez mais sofisticadas -- e caras -- e não podem depender dos escassos recursos públicos. Rodrigues quer criar um mecanismo de financiamento das pesquisas em agronegócio pelo setor privado. A idéia é que as cooperativas e as agroindústrias destinem um percentual de seu faturamento a um fundo de desenvolvimento tecnológico, gerido pelas próprias empresas. "É justo que o setor privado contribua, já que é o principal beneficiário das tecnologias geradas", diz.

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