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Desde 2000, o grupo Pão de Açúcar, a maior rede varejista do país, fiscaliza todos os produtos alimentícios que são vendidos em suas lojas. A empresa mantém centros de distribuição em vários estados, onde os produtos são recebidos e examinados em laboratório por mais de 200 técnicos. "Analisamos desde a quantidade de água no frango até a textura do bacalhau, a consistência do queijo e a espessura da capa de gordura da picanha. Produtos reprovados são devolvidos na hora", diz Luís Ricardo Pedro, diretor da cadeia de suprimentos do Pão de Açúcar. Segundo o executivo, quem não segue os padrões e comete falhas constantes é descredenciado e deixa de vender para o grupo. "Não é fácil passar por nosso controle de qualidade. Somos chatos mesmo", afirma Pedro. Quando o grupo implantou seu sistema de controle de qualidade, a situação era calamitosa: cerca de 70% dos produtos fiscalizados estavam fora do padrão. Hoje esse índice caiu para 5%.
A exemplo do que faz o Pão de Açúcar, o país também teria muito a ganhar se aumentasse o rigor no controle do que chega ao consumidor. Fiscalizar o produto final e excluir do mercado os fornecedores que não preencham os requisitos mínimos de qualidade -- inclusive no aspecto sanitário -- é o modelo considerado mais eficiente para melhorar nosso sistema de defesa agropecuária. Num país de dimensões continentais como o Brasil, seria inviável manter fiscais do governo em cada fazenda, agroindús tria ou posto de fronteira, ainda mais diante das limitações dos recursos públicos -- neste ano, a Secretaria de Defesa Agropecuária (SDA), órgão do Ministério da Agricultura responsável pela fiscalização e pela inspeção de produtos de origem animal e vegetal, deverá contar com um orçamento de 143 milhões de reais, 60% do valor que recebeu em 2005. Com tão pouco dinheiro, dizem os especialistas, é vital usá-lo de forma eficiente.
