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Ao longo da última década, um punhado de países emergentes vem protagonizando um dos mais impressionantes capítulos de ascensão econômica da história do capitalismo. Antes relegadas à periferia, nações como China e Índia representam hoje o que há de mais pujante em termos de crescimento e geração de renda -- e têm chacoalhado, para o bem e para o mal, as estruturas econômicas globais. Em alguns países, setores inteiros foram varridos do mapa em decorrência da irresistível competição dos asiáticos. Em outros cantos do mundo, negócios florescem a todo instante para suprir a insaciável demanda por mais bens das grandes nações emergentes. O agronegócio brasileiro encontra-se nesse segundo grupo. É difícil apontar outro setor que tenha mais motivos para comemorar o novo cenário da economia mundial. Independentemente da crise atual no campo brasileiro, o fato é que os novos gigantes da economia mundial representam uma oportunidade de ouro para o sucesso das empresas do agronegócio -- não apenas neste ano, mas nas décadas à frente.
A evolução recente das vendas externas brasileiras serve de prenúncio para o cenário futuro. Os três maiores compradores de carne bovina brasileira são, pela ordem, Rússia, Egito e Chile. O maior importador de soja e carne de porco do Brasil é a China. Desde 1996, o crescimento médio anual das importações agrícolas por parte dos países emer gentes foi quase três vezes superior ao crescimento das importações do bloco dos desenvolvidos. Com isso, mudou drasticamente o destino das exportações agrícolas do país. No final dos anos 80, quase 80% das vendas brasileiras do setor seguiam para Europa, Estados Unidos e Japão -- pouco mais de 20% tinham como destino países pobres. Em 2004, pela primeira vez, mais da metade das exportações agrícolas foi para nações em desenvolvimento. Não apenas gigantes como China e Índia, mas também países do norte da África, Oriente Médio e antigos integrantes do bloco socialista soviético têm aumentado exponencialmente as compras no Brasil. Nos últimos cinco anos, as vendas ao Senegal cresceram 1300%. Antes ausentes de nossa pauta, Argélia, Ucrânia, Malásia e Bulgária são hoje compradores regulares de carne brasileira. "A tendência é que os emergentes sejam cada vez mais importantes para nós", afirma Marcus Vinícius Pratini de Moraes, ex-ministro da Agricultura e atual presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec). "Em 2010, os países em desenvolvimento deverão ser responsáveis por 80% das exportações do agronegócio brasileiro."
A importância crescente dos países emergentes para o agronegócio deriva de uma combinação única de fatores. Por um lado, os países em desenvolvimento são os que mais crescem no presente e que demonstram mais fôlego para crescer no longo prazo. Em 2005, pela primeira vez, as nações em desenvolvimento foram responsáveis pela geração da maior fatia de riqueza do planeta -- segundo a revista britânica The Economist, a soma do produto interno bruto (PIB) dos países emergentes já ultrapassou o PIB do bloco dos países ricos (descontando-se a diferença do custo de vida de cada país). De acordo com as previsões do banco americano Goldman Sachs, a renda per capita indiana tem potencial para crescer 35 vezes até 2050. Já para a Rússia a previsão é que, mesmo com a população envelhecendo e encolhendo, o país atingirá renda per capita próxima à francesa, superando a de países como Alemanha. O banco prevê ainda que a China ultrapassará os Estados Unidos dentro de algumas décadas e passará a deter a maior economia do mundo.

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