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Desde que a Organização Mundial do Comércio (OMC) foi fundada, em 1995, o Brasil tem colhido uma série quase ininterrupta de vitórias nas disputas comerciais travadas nos tribunais da instituição. Dos 25 contenciosos de que participou, o país obteve resultado positivo em 22, aguarda a resolução de dois e teve apenas uma derrota. Desse total, quase a metade envolve disputas em torno de produtos do agronegócio, nas quais o país conseguiu evitar prejuízos milionários e, muitas vezes, garantir novos mercados. No contencioso do algodão, por exemplo, a exigência do fim dos subsídios aos fazendeiros americanos, decidida em março do ano passado, poderá abrir um mercado de 480 milhões de dólares aos produtores brasileiros. Paralelamente, a diplomacia trava outra guerra vital para o agronegócio do país -- a Rodada de Doha, um ambicioso acordo comercial envolvendo os 149 países da OMC. No centro da negociação estão a abertura dos mercados agrícolas do mundo rico e a gradativa redução dos subsídios que as nações desenvolvidas pagam a seus produtores rurais, bandeiras históricas do setor rural brasileiro.
Quem são as pessoas com a responsabilidade de defender as cores do país nessas disputas? Ao contrário do que se poderia pensar, o time brasileiro na linha de frente da OMC é extremamente pequeno. O grupo de diplomatas na área comercial está dividido em duas equipes. Uma fica em Genebra, na Suíça, sede da OMC, e a outra em Brasília. Na Europa, há apenas 16 pessoas que lidam com as questões comerciais. Vão a reuniões temáticas, conversam com líderes de governo e juntam as informações para definir a estratégia brasileira. "Todo dia temos cafés da manhã, almoços e jantares de trabalho", diz o embaixador Clodoaldo Hugueney Filho, chefe da Missão Permanente do Brasil em Genebra e um dos principais negociadores brasileiros. Há quase 30 anos trabalhando com temas de comércio, Hugueney supervisiona todo o trabalho da equipe de Genebra, que também conta com diplomatas em outros organismos internacionais, e fica em contato com a equipe do Brasil.
Em Brasília, um segundo grupo serve de retaguarda para os negociadores em solo europeu. Na sede do Itamaraty, o Departamento Econômico faz a coordenação-geral das negociações com os outros ministérios, como o da Agricultura, o do Desenvolvimento e o da Fazenda, para definir estratégias e enviar instruções a Genebra. No departamento, há apenas sete pessoas diretamente envolvidas nos temas agrícolas e outras cinco nos contenciosos (disputas individuais com outro país). Todos ficam sob a chefia do ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim.
