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Num mercado globalizado, no qual o acesso a produtos é cada vez mais fácil e a diferenciação entre eles cada vez menor, os chamados selos de indicação de procedência tornaram-se um poderoso instrumento de marketing. Sua função é tornar explícitos para o consumidor os padrões mínimos de qualidade de determinado produto, de acordo com as características geográficas e culturais de determinada região. São esses selos -- verdadeiras grifes -- que há décadas conferem prestígio e turbinam as vendas dos vinhos Bordeaux, do charuto cubano, do bacalhau norueguês e dos champanhes. No Brasil, as iniciativas nessa área ainda são tímidas, com projetos em fase de implantação por parte de produtores de cachaça, flores e carne. A experiência em estágio mais avançado envolve os produtores de vinho da região de Bento Gonçalves, no Rio Grande do Sul. Preocupados com o aumento da concorrência dos vinhos importados, empresários da serra gaúcha criaram a Associação dos Produtores de Vinhos do Vale dos Vinhedos (Aprovale), em 1995. Desde 2002, as vinícolas que cumprem os requisitos exigidos podem estampar em suas garrafas o selo com o nome Vale dos Vinhedos. Foi o primeiro grupo de produtores no Brasil a receber o selo de indicação de procedência emitido pelo Instituto Nacional de Propriedade Industrial (Inpi).
A legislação brasileira de propriedade industrial prevê duas modalidades de certificação de origem: a indicação de procedência e a denominação de origem. O que os produtores de vinho gaúchos obtiveram foi o selo do primeiro tipo, que pode ser aplicado a produtos com características diferentes, desde que originários da mesma área geográfica. A deno minação de origem é considerada uma etapa posterior. Exige o cumprimento de regras específicas para garantir certa homogeneidade nas características dos produtos de uma mesma região.
