O setor de parques temáticos tem se revelado complicado no Brasil, mas o Beach Park, de Fortaleza, é um raro exemplo de empreendimento que parece ter acertado o caminho. Depois de negociar em 2004 uma dívida de 15 milhões de reais com o BNDES, o parque aquático deve terminar 2005 com faturamento de 40 milhões de reais -- quase 30% superior ao do ano passado -- e se prepara para implementar um plano de expansão que deverá consumir investimentos de 60 milhões de reais a partir de 2006. "Estamos prontos para transformar o Beach Park num dos principais destinos turísticos do país", diz Alexandre Chade, da Ascet Investimentos, sócia do parque. A ambição de Chade (e que ambição) parece ser construir, em plena Fortaleza, uma Disneylândia brasileira.
Seus planos incluem hotel, unidades residenciais, lojas e restaurantes. E não será um hotel qualquer. "Ele ficará totalmente integrado aos brinquedos", diz Chade. O projeto prevê um rio que atravessa o prédio. Acomodados em bóias, os hóspedes poderão ser levados pela correnteza diretamente a um dos 34 brinquedos e terminar despencando num tobogã de água carregado de adrenalina. Integrar hotel e parque foi um modelo implementado décadas atrás pela Disney, que instalou resorts de cinema dentro das áreas de seus parques. A idéia é fazer com que o hóspede viva o clima de diversão as 24 horas do dia, dormindo com a visão do castelo da Cinderela na janela ou tomando café da manhã acompanhado de personagens como os da turma do Ursinho Pooh.
Os analistas desse mercado vêem a iniciativa com otimismo. "O Beach Park está aproveitando o recente aumento de estrangeiros na Região Nordeste", diz o especialista no setor hoteleiro José Ernesto Marino Neto, da consultoria BSH International. "Um hotel incrementado tende a aumentar a permanência dos visitantes." Com as novas atrações, Chade espera dobrar para 30% a participação de estrangeiros entre o mais de 1 milhão de pessoas que visitam o parque todo ano. Os riscos, porém, não podem ser desprezados. Uma eventual queda na renda da população brasileira poderia ter um efeito nefasto, pois os turistas nacionais respondem por 85% do público. Outro perigo, caso o real continue valorizado, é boa parte dos turistas debandar para outros países.
| Atração maior | |
| O impacto que a construção de um complexo hoteleiro pode ter no desempenho do Beach Park(1) | |
| Faturamento(2) (em milhões de reais) | |
| 2005 |
40
|
| 2008 |
70
|
| Ebitda(3) (em milhões de reais) | |
| 2005 |
10
|
| 2008 |
20
|
| Visitantes (em milhões de pessoas) | |
| 2005 |
1
|
| 2008 |
1,7
|
| (1) Estimativa (2) Inclui parque, hotéis, restaurantes e lojas (3) Lucro antes do desconto de impostos, depreciação, juros e amortizações Fonte: empresa |
|