Divulgado no fim de novembro, o novo relatório da Organização das Nações Unidas sobre mudança de clima mostrou que as emissões de gases que provocam o efeito estufa têm se mantido estáveis nos últimos anos, mas vão subir mais de 10% até 2010. A previsão sai num momento em que existe uma corrida de vários países em busca de energia limpa. E, surpreendentemente, uma das alternativas que vêm se firmando é a energia eólica. Hoje, os custos da energia elétrica obtida com a força do vento já são inferiores aos da produzida com carvão e com urânio e se aproximam a passos largos da fonte mais barata: o gás natural. Segundo as previsões, a energia eólica terá preços mais em conta do que o gás natural em 2009. Esse cenário vem provocando uma transformação no mercado de energia -- com repercussão em países e empresas do setor. Atualmente, a propulsão eólica é responsável apenas pela produção de 0,6% da matriz energética mundial. Mas, mantido o ritmo de crescimento atual, esse número chegará a 12% em 2020.
Uma das medidas para avaliar esse crescimento é o faturamento das companhias que se dedicam a esse tipo de tecnologia. No ano passado, o mercado de energia eólica faturou 8 bilhões de euros. Até 2012, em função dos investimentos que estão sendo feitos, esse número deve chegar a 80 bilhões de euros por ano -- dez vezes mais num período de apenas sete anos. Por trás dessas cifras, estão gigantes como a americana General Electric e a alemã Siemens. Mas também existem empresas ainda pouco conhecidas, como a dinamarquesa Vestas e a espanhola Gamesa, os maiores fabricantes mundiais de turbinas eólicas.
A Europa é líder no mercado eólico, com 73% da capacidade mundial instalada. Alemanha, Espanha e Dinamarca são os países que mais investem nesse sistema. A grande novidade, no entanto, é a entrada em cena da China. No momento, a produção de energia eólica no país é quase irrisória. Mas existem planos para chegar a 2020 com capacidade instalada de 40 000 megawatts, o que ele varia a energia eólica ao terceiro lugar entre as fontes de eletricidade na China. De olho nesse mercado potencial de 40 bilhões de dólares, as empresas já anunciam os primeiros investimentos. A Gamesa, por exemplo, construirá uma fábrica de turbinas eólicas em Tianjin no valor de 60 milhões de euros.
| Novos investimentos | |
| A preocupação ambiental provocou um boom de usinas eólicas nos países desenvolvidos. O quadro mostra a evolução da capacidade de produção desses sistemas nos últimos anos e a previsão para 2009 | |
| (em megawatts) | |
| 1994 |
3 530
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| 2004 |
47 320
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| 2009 |
117 140
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| Fonte : GWEC | |
