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A corrida pela energia limpa

 | 29.11.2005

Os investimentos em usinas eólicas estão crescendo na Europa e até mesmo na China

 

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Por Rodrigo Mesquita

EXAME 

Divulgado no fim de novembro, o novo relatório da Organização das Nações Unidas sobre mudança de clima mostrou que as emissões de gases que provocam o efeito estufa têm se mantido estáveis nos últimos anos, mas vão subir mais de 10% até 2010. A previsão sai num momento em que existe uma corrida de vários países em busca de energia limpa. E, surpreendentemente, uma das alternativas que vêm se firmando é a energia eólica. Hoje, os custos da energia elétrica obtida com a força do vento já são inferiores aos da produzida com carvão e com urânio e se aproximam a passos largos da fonte mais barata: o gás natural. Segundo as previsões, a energia eólica terá preços mais em conta do que o gás natural em 2009. Esse cenário vem provocando uma transformação no mercado de energia -- com repercussão em países e empresas do setor. Atualmente, a propulsão eólica é responsável apenas pela produção de 0,6% da matriz energética mundial. Mas, mantido o ritmo de crescimento atual, esse número chegará a 12% em 2020.

Uma das medidas para avaliar esse crescimento é o faturamento das companhias que se dedicam a esse tipo de tecnologia. No ano passado, o mercado de energia eólica faturou 8 bilhões de euros. Até 2012, em função dos investimentos que estão sendo feitos, esse número deve chegar a 80 bilhões de euros por ano -- dez vezes mais num período de apenas sete anos. Por trás dessas cifras, estão gigantes como a americana General Electric e a alemã Siemens. Mas também existem empresas ainda pouco conhecidas, como a dinamarquesa Vestas e a espanhola Gamesa, os maiores fabricantes mundiais de turbinas eólicas.

A Europa é líder no mercado eólico, com 73% da capacidade mundial instalada. Alemanha, Espanha e Dinamarca são os países que mais investem nesse sistema. A grande novidade, no entanto, é a entrada em cena da China. No momento, a produção de energia eólica no país é quase irrisória. Mas existem planos para chegar a 2020 com capacidade instalada de 40 000 megawatts, o que ele varia a energia eólica ao terceiro lugar entre as fontes de eletricidade na China. De olho nesse mercado potencial de 40 bilhões de dólares, as empresas já anunciam os primeiros investimentos. A Gamesa, por exemplo, construirá uma fábrica de turbinas eólicas em Tianjin no valor de 60 milhões de euros.

Novos investimentos
A preocupação ambiental provocou um boom de usinas eólicas nos países desenvolvidos. O quadro mostra a evolução da capacidade de produção desses sistemas nos últimos anos e a previsão para 2009
(em megawatts)
1994
3 530
2004
47 320
2009
117 140
Fonte : GWEC

Um dos principais propulsores da corrida em busca da energia limpa é o Protocolo de Kioto, que prevê para 2010 um teto de emissões de gases poluentes na atmosfera 15% superior aos níveis de 1990. Com a sua entrada em vigor, os países-membros da União Européia começaram a dividir os direitos anuais de emissão de gás carbônico entre as suas indústrias poluidoras. Quem ultrapassar sua cota anual terá de comprar direitos de emissão no mercado de carbono -- e esse custo vai para o balanço das companhias. Ao preço médio de 30 euros por tonelada, só na Espanha a compra de direitos de emissão vai significar um gasto adicional para as empresas poluidoras de 472 milhões de euros ao ano.

Embora hoje seja a melhor alternativa para evitar esse tipo de prejuízo, a energia eólica ainda tem alguns inconvenientes. A maior barreira é a inconstância dos ventos. Não há como garantir um fornecimento regular. A proliferação da tecnologia trouxe à tona outras questões. Ainda que não emita gás carbônico, a visão de grandes extensões de terra coalhadas de gigantescos moinhos de vento é um fator de poluição visual. Na Espanha, os habitantes da Galícia e da Andaluzia têm realizado repetidos protestos contra a instalação de novos moinhos. Além de feias, dizem os manifestantes, as engenhocas produzem um barulho infernal. Não bastasse isso, suprema ironia, a energia eólica agora entrou no alvo de alguns grupos de ecochatos. Eles afirmam que os reatores cada vez maiores são responsáveis pela morte de milhares de aves. É a prova de que, por mais ecologicamente correta que seja uma tecnologia, é impossível agradar a todos.

 
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