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Esquadrão da moda

Conheça a catarinense AMC, que se tornou a maior administradora de grifes do país
Por Suzana Naiditch  | 16.11.2005

Revista EXAME - 

Há anos Gisele Bündchen inclui jeans da Colcci em seu guarda-roupa. Vira e mexe, a apresentadora Adriane Galisteu é flagrada usando vestidos Carmelitas. A cantora Paula Lima já confessou ser fã das camisetas da Sommer. Apesar de ter estilos e públicos diferentes, as marcas Colcci, Carmelitas e Sommer têm algo em comum. Todas pertencem à catarinense AMC Têxtil, sediada em Jaraguá do Sul. Fundada em 1980 pelo casal Cecília e Ademar Menegotti, durante duas décadas a empresa atuou exclusivamente como malharia. Em 2000, uma idéia dos filhos do casal, Alexandre e Margarete, acabou por mudá-la radicalmente. Inspirados nos exemplos do grupo americano The Limited, controlador das marcas Victoria's Secret e Bath & Body Works, e do francês LVMH, dono das grifes Louis Vuitton e Kenzo, os herdeiros da AMC decidiram que o caminho para o crescimento passava por outro negócio. "Rapidamente, a AMC tornou-se a líder em gestão de marcas de moda no Brasil", diz Carlos Ferreirinha, consultor especializado no mercado de luxo.

O faturamento da AMC é estimado em torno de 300 milhões de reais por ano. Metade desse valor é gerada pela venda das roupas prontas. O restante, pela atividade como malharia. "Até 2008, teremos outras três marcas", diz Alexandre Menegotti. "Queremos formar um conglomerado de grifes." O pontapé inicial dessa virada foi a compra da Colcci, em 2000. Na época atolada em dívidas e na segunda concordata, a marca estava completamente desprestigiada. Teve de ser submetida a uma espécie de cirurgia plástica. A AMC investiu 28 milhões de reais em marketing e máquinas. Mandou as estilistas da Colcci ao exterior para ver de perto as mais recentes tendências de mercado. Modernizou as lojas e reduziu o número de franquias de 150 para 110. Todas essas mudanças fizeram o preço médio das peças subir de 25 para 130 reais. O faturamento da marca quadruplicou. Desde janeiro, Gisele Bündchen deixou de ser apenas consumidora para assumir o posto de garota-propaganda da grife. Impulsionada pela imagem da modelo, a Colcci hoje tem franquias em quatro países -- Espanha, Estados Unidos, Guatemala e Arábia Saudita -- e está presente em mais de 1 300 lojas fora do Brasil.

A experiência com a Colcci preparou a AMC para outras investidas. Em 2003, a empresa comprou o direito de produção de roupas e acessórios com a marca Coca-Cola Clothing, vendidos em lojas multimarcas de todo o país. No ano seguinte, adquiriu a Sommer, que pertencia ao estilista Marcelo Sommer e ao empresário João Paulo Diniz, um dos herdeiros do grupo Pão de Açúcar. Há dez anos no mercado, a marca, presente em apenas dez pontos, não chegava a vender 2 000 peças por coleção. Hoje está em 250 lojas multimarcas e, na primeira coleção sob o comando da AMC, produziu 44 000 peças. Neste ano, a empresa arrematou mais uma marca de prestígio, a paulista Carmelitas, que leva seu estilo artesanal chique a araras de lojas sofisticadas, como Daslu e Clube Chocolate, em São Paulo. A exemplo de Marcelo Sommer, mantido como diretor de criação da marca que criou, as estilistas Carla Gaspar e Karen Tognato, fundadoras da Carmelitas, continuam desenhando os modelos da grife. "O portfólio da AMC tem marcas que não são conflitantes entre si", diz Ferreirinha. "Só é preciso preservar a identidade de cada uma."

Os números da AMC
Veja o raio X da fabricante catarinense, dona das marcas Colcci e Sommer
Faturamento(1) Funcionários
300 milhões de reais 1 300
Produção LOJAS Franqueadas
Roupas: 3 milhões de peças
Tecido: 8 000 toneladas
Colcci: 110 no Brasil e cinco no exterior
Sommer: duas no Brasil
(1) Estimativa de mercado
Fonte: empresa


 
 
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