Com a cara do dono
| 20/12/2004
O ritual de trocar cartões de visita ficou mais bonito e bem-humorado
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Por Cristina Iori
Em encontros profissionais, a troca de cartões de visita é uma dessas velhas tradições que parecem ganhar força com o passar do tempo. Numa reunião de trabalho com pessoas desconhecidas, experimente dizer quem é, onde trabalha e que cargo ocupa sem entregar um cartão. Parece que fica faltando alguma coisa, uma prova de que nem tudo que foi dito é verdade. Até que a indústria de tecnologia tentou um substituto eletrônico para os papeluchos. Nos computadores de mão há uma função que permite a troca de cartões eletrônicos por infravermelho. Na prática, o recurso é tão avançado quanto inútil. Em vez de acabar com os cartões, a tecnologia ajudou a fazê-los mais bonitos, atraentes e bem-humorados. Na agência de propaganda Giovanni, FCB, de São Paulo, os funcionários têm cartões de visita personalizados com sua foto. Cada um escolhe em que pose quer aparecer: sentado, pulando, até plantando bananeira. "Uma agência de publicidade deve ser criativa até no cartão", diz Marilena Senra, diretora de comunicação corporativa. Em outra agência, a Lew, Lara Propaganda e Comunicação, os cartões têm duas faces. De um lado, constam os dados corporativos do profissional. Do outro, uma foto que apresenta um detalhe, com uma característica facilmente reconhecida por todos, seja um nariz grande, seja um topete.
É verdade que na maioria das empresas os cartões seguem critérios de rigorosos manuais de identidade visual. Geralmente, aparecem apenas o logotipo da companhia, o nome do empregado, sua função, telefone e endereço, tudo bem quadrado e geométrico. Por medida de segurança, muitos executivos produzem cartões apenas com seu nome, sem colocar o cargo. Acontece que, mesmo quando os limites são estreitos, encontram-se margens para uma inovação. Em algumas companhias, o cartão dos profissionais mais graduados é um pouco maior que o dos subordinados. Em outras, a posição hierárquica é apontada pela cor. Não que se trate de uma inovação, porém é cada vez mais comum ver cartões com duas faces, em dois idiomas. Facilidades de impressão também ajudaram a disseminar cartões com a fotografia do funcionário. Na Ásia, esses cartões são extremamente comuns. Tudo vale no mundo dos cartões. Mas, pelo amor de Deus, na hora de entregá-lo, nada de riscar o sobrenome ou dobrar a pontinha para mostrar intimidade. É péssimo!
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