Um modelo que funciona
| 10/11/2004
Como Viracopos se tornou o aeroporto de cargas mais movimentado do país
Publicidade
Por Roberta Paduan
Nos últimos cinco anos, o aeroporto de Viracopos, localizado na cidade de Campinas, no interior de São Paulo, tornou-se peça fundamental na movimentação de cargas do país. Por lá passam 10% do valor das importações do Brasil, considerando-se todos os aeroportos, portos e estradas. Em muitos casos, são produtos de alto valor, como insumos para a indústria farmacêutica, de informática e turbinas de avião. Em exportação, o aeroporto também é um destaque. Entre setembro de 2003 e setembro deste ano, os produtos embarcados ao exterior por Viracopos aumentaram 64% -- enquanto a média de crescimento dos 32 terminais de carga brasileiros foi de 20%. Até setembro deste ano, Viracopos registrou um faturamento com exportação e importação de 160 milhões de reais, o maior entre todos os terminais aéreos de cargas do país.
Para chegar a essa posição, Viracopos passou por uma revitalização iniciada em 1995. De lá para cá, a Infraero investiu 87 milhões de reais em diversas melhorias. Neste ano, o terminal de importação ganhou um sistema de armazenamento de cargas totalmente automatizado. Nos próximos cinco anos, a Infraero planeja investir mais 200 milhões de reais. Boa parte do sucesso de Viracopos pode ser creditada à capacidade de seus administradores de trabalhar em sintonia com as empresas que o utilizam. Lentidão na liberação de cargas, por exemplo, era um fator de irritação. "Decidimos resolver os problemas mesmo que não fossem causados pela Infraero", afirma Carlos Alcântara, gerente de logística de Viracopos. Foi implantado um sistema que monitora o tempo que cada mercadoria leva para ser liberada nos diversos pontos do processo -- companhia aérea, Infraero, Receita Federal, Ministério da Agricultura, Agência de Vigilância Sanitária e o operador logístico de cada empresa.
Desse mapeamento, nasceu o programa batizado de Linha Azul, que garan te a liberação de mercadorias em, no máximo, 6 horas -- um período extraordinário, se comparado à média de cinco dias anteriormente necessários. O sistema foi adotado em outros aeroportos brasileiros. A IBM, que importa componentes eletrônicos quase diariamente, para utilização em sua fábrica de Ortolândia, no interior paulista, é uma das empresas que se beneficiam da Linha Azul. "A subsidiária brasileira está entre as mais eficientes do mundo da corporação no quesito liberação de cargas aéreas", diz o executivo americano Arvinder Suhdhar, diretor de logística da IBM para as Américas, que visitou o aeroporto no final de outubro.
A Linha Azul deu origem a outro programa -- um ranking que classifica as 500 empresas mais eficientes na liberação de cargas em Viracopos. O ranking, publicado mensalmente, acabou gerando uma competição saudável entre as companhias usuárias do aeroporto. Na Embraer, por exemplo, o diretor de logística distribui o ranking a seus subordinados com a pergunta "e nós?", quando a empresa não é a primeira colocada .
| O que passa por viracopos |
| Crescimento no movimento do aeroporto nos últimos dois anos (em toneladas) |
| Volume de carga exportada |
| Set/2003 | 6 653 |
| Set/2004 | 10 919 |
| 64% de aumento |
| Volume de carga importada |
| Set/2003 | 5 585 |
| Set/2004 | 8 339 |
| 49% de aumento |
| Fonte: Infraero |
Por favor, informe seus dados na caixa à direita para ler o restante do texto.