A regra é essa. É bem simples de falar. E bem complicado de fazer. Mas eu sei por experiência: ela funciona. Só contrate quem for melhor que você. E, pelo amor do bom deus, deixe-os trabalhar. Não fique competindo com seus subordinados. Não fique puxando o freio de mão das Ferraris que você por ventura colocar na sua garagem. Ao contrário, estimule-as a sair para a rua todo dia, e roncar seus motores nas tantas highways que estão por aí, mercado afora, pedindo para serem desbravadas por carros potentes. Da próxima vez que você se pegar reclamando da carga de trabalho, de que não tem tempo para nada, de que tudo depende de você, de que você está sendo demandado em excesso, de que está sem tempo para si mesmo e para a família, lembre de se iniciar na fina arte da delegação. E não se esqueça que só é possível delegar com sucesso quando você investiu antes em se cercar de gente mais talentosa e mais competente que você. Brife-os corretamente, estabeleça metas arrojadas, cobre os resultados, premie o êxito do time… e vá pescar!
Tem uma história ótima envolvendo o Victor Civita, o lendário fundador da Editora Abril. Segundo ouvi contar nos meus anos de Abril, logo na virada para os anos 70, bem no iniciozinho de Veja, um dia o velho VC passeava pelos corredores da empresa com um visitante. Até que cruzou pela porta da redação da revista. Que tinha gente da pesada: Mino Carta, José Roberto Guzzo, Elio Gaspari, enfim, alguns dos melhores jornalistas – e revisteiros – que já atuaram no Brasil se amontoavam lá dentro. VC bateu no ombro do visitante e disse: “está vendo toda essa gente brilhante reunida aí dentro? Eles trabalham para mim.” Esse é o patrão mais sábio do mundo. Soube contratar os melhores. E deixou os melhores trabalhar.
quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010 -
8:03
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O ser humano é gregário quando está em dificuldade. E é tremendamente individualista quando está por cima. Isso não é justo, não é legal, não é correto. Mas é assim que somos. Somos seres sociais que merecem ficar sozinhos.
Quando a gente está por baixo, sente saudade daquela tia que sempre foi fã incondicional e para quem há anos não nos dignamos a ligar. Quanto tudo ao redor é áspero e sem cor, sentimos saudade da infância, das tardes quentes de verão na casa da avó, quando não nos pesava quase nenhuma responsabilidade sobre os ombros, quando o mundo era nosso e era feito de sonho. Quando as coisas dão errado, sentimos saudade do colo materno, que tantas vezes renegamos, não raro com brutalidade, e desejamos voltar para o útero ou para qualquer outro ambiente protegido, que nos permita não sermos adultos, que nos permita não sofrer pressões nem penar com angústias. Quando a nossa vaca vai para o brejo, ficamos nostálgicos dos dias tenros e mágicos quando éramos heróis, craques, soldados invencíveis, cavaleiros garbosos, campeões imaginários de tudo de bacana que pudesse haver nessa vida, quando não havia o reality check para nos colocar em nossos devidos lugares.
terça-feira, 9 de fevereiro de 2010 -
12:24
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Sócios só brigam em duas ocasiões: quando o negócio dá muito certo e quando o negócio dá muito errado
Escrevi um livro sobre vida corporativa com o título acima. Era um relato sobre o dia a dia profissional nas grandes corporações, suas delícias e suas desgraças. Trata-se, portanto, de um livro escrito basicamente sob a ótica de um executivo. Para ser lido por executivos. Eu não imaginava, naquele momento, há pouco mais de 5 anos, que iria tão cedo mergulhar no açude do empreendimento. Muitas regras e lições continuam valendo. Mas tem um bocado de coisas novas, insuspeitas e específicas. São dois tipos de água bem diferentes, essas em que bóiam o empregado e o empregador, em termos de rotina, de lógica, de organização do pensamento e das ações.
Um negócio que eu aprendi (estou aprendendo, na verdade), por exemplo, é que existe na vida, do lado de cá, um elemento chamado “sócio”. Não é um patrão nem um funcionário. Também não é um colega de trabalho. Não é um fornecedor nem um cliente. Também não é um concorrente. Não é um amigo, nem um confidente, não pode ser ser ídolo nem será seu fã. Ele ou ela está do seu lado (momentamente) mas não é um irmão nem um procurador.
sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010 -
19:01
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Chego na recepção e sou atendido pela menina. Ela me trata no limite mínimo da educação. Frequento aquela empresa com alguma assiduidade. E é sempre assim: ela está invariavelmente mal humorada. Não é uma mulher linda. Mas também não é feia. Chama razoavelmente a atenção. Então, no mercado sexual, ela é uma mulher acostumada a ter sempre alguma demanda masculina para alimentar sua autoestima. Definitivamente ela não é um produto feminino encalhado na prateleira. Embora não seja necessariamente bonita. Acho que ela apenas se importa com o fato de ser ou não bonita, faz algum esforço para se manter na categoria das mulheres captadas pelo radar da testosterona. Sua carinha sempre um tanto amarrada me faz perceber que há algumas mulheres, especialmente as que se considerarm bonitas e as que imaginam que têm homens à disposição na hora em que desejarem, que assumem muitas vezes uma postura antipática. Como se pensassem: “sou mulher, sou bonita, sou desejada. Você é que tem que ser simpático comigo, não eu com você. Você é que tem de me cortejar, começando por me aceitar (e me adorar) com o humor que eu estiver hoje, e não ficar esperando sorriso simpático ou cortesia da minha parte”.
Sento numa poltrona à espera de ser chamado para minha reunião e fico observando a menina com o canto do olho. Ela faz tudo com enfado: mexe no computador, passa uma ligação, explica alguma coisa a alguém. Tem um tom mormaçoso que apenas esconde a rispidez intrínseca que dedica a tudo a sua volta. Um menino chega para trabalhar e lhe diz bom dia. Ela responde sem emitir som, de modo amarelo. Em seguida uma menina bem gatinha, dessas que nunca pegaram um ônibus urbano na vida, passa e também lhe diz bom dia. Ela tira do colete seu sorriso de plantão. Assim que a menina se vira, no entanto, deixa cair as feições e lança sobre a interlocutora, pelas costas, aquele olhar de inveja, quase de ofensa, que só as mulheres sabem lançar a outra mulher mais bonita. É um olhar de despeito, um scan afiado, ofendido, que vem de cima a baixo e que pragueja em silêncio, e que encerra sempre uma promessa de morte.
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quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010 -
8:33
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Último comentário por
Gustavo Luiz Scatolini Vieira :
Uma vez ouvi uma frase que de certa forma traduz muito bem este pensamento "por que as mulheres não jogam ...
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Esses dias eu me perguntei isso. O sujeito com a conta estourada, cheio de dívidas, fica mesmo mais broxado, vê a libido desaparecer diante da sua precariedade financeira? Falir ou simplesmente perder contratos, perder clientes, perder dinheiro pode afetar diretamente as gônadas e causar disfunção erétil? Por outro lado, um saldo polpudo na conta corrente, um ganho expressivo sobre o dinheiro investido, o recebimento de um bônus gordinho tem o poder de dar ao sujeito mais virilidade, de tirar o cidadão da apatia e o transformar num fauno?
É sempre perigoso generalizar essas coisas. Mas, na média, acho que dá para cravar que a maioria das mulheres depende de um monte de coisas para a sua sexualidade desabrochar de forma plena. O autoerotismo talvez seja o principal componente da libido feminina – um elemento que é absolutamente impensável no universo sexual masculino. Nenhum homem se excita consigo mesmo. Já a mulher precisa, antes que tudo, estar se sentindo bonita para a transa. Não adianta você cobri-la de elogios, demonstrar sua sede pelo que ela tem dentro da vasilha. Não é isso que acende de fato uma mulher – de novo, ao contrário do que acontece com os homens. Nada acende tanto um homem do que se enxergar desejado no olhar feminino. Já a mulher, se não depilou a perna, se está inconformada com 400 gramas a mais que descobriu por acaso ao subir na balança, se lhe surgiu uma mísera espinha do rosto, ela broxa completamente. E não há estímulo externo que a livre da miséria íntima.
terça-feira, 2 de fevereiro de 2010 -
8:51
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Está pensando em trocar o emprego por um negócio? Considere o seguinte, entre tantas outras coisas que você deve considerar. (Várias delas temos tratado aqui, como você sabe.) Empreender é, antes de qualquer coisa, e em certo sentido, ir contra tudo e contra todos. É atirar o seu próprio rosto contra uma parede que estava colocada ali muito antes da sua chegada. Essa parede pode ser mais ou menos sólida. Mas é uma parede e sempre oferece resistência. E é a sua carinha tratada com creme hidratante ou com loção pós barba que você estará arremessando contra ela.
Essa parede metafórica representa tudo o que está posto ao redor no ambiente em que você deseja ingressar com seu negócio. Ela é o establishment. Leve em consideração que não há espaços vazios no poder. Nem no mundo dos negócios, nem nas carteiras de clientes e de fornecedores, e muito menos no modo como o dinheiro em circulação é dividido entre os bolsos existentes. Por isso é sempre difícil para o novo entrante. Por isso muito dificilmente o novo empreendedor será recebido com rosas e champanhe. É exatamente o contrário. E não porque ele seja mais ou menos simpático. Não se trata de uma questão pessoal. Acontece que tudo aquilo que está estabelecido costuma rejeitar o novo. Por um instinto óbvio de sobrevivência. O novo é sempre uma ameaça. E uma ameaça que ninguém não conhece. Os competidores existentes são uma coisa. Você os conhece. Você já sabe onde você ganha e onde você perde no embate com eles. Os novos competidores são uma coisa completamente diferente. Eles são o desconhecido. A mera existência deles pode decretar o seu fim. Então, por via das dúvidas, pau na moleira desses caras…
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segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010 -
10:02
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Último comentário por
Vinicius Nogueira de Siqueira :
Muito Bom!
É exatamente o que acontece.
Principalmente em um país como o nosso, em que não há a cultura empreendedora e ...
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Amigo e amiga ingênuos, a época de pousadinhas acabou para mim. Mudei de time. Não jogo mais pelos solteiros nem pelos jovens casais sem filhos. Meu time agora é o dos respeitáveis casais (de meia idade?) com filhos pequenos. Então, confesso, debutei nas férias desse ano numa nova categoria de hotéis: o resort desenhado para famílias, para receber crianças. E em sua versão mais recente (se estivesse em 1988, escreveria “em sua versão mais pequeno burguesa”): o all inclusive. O termo significa, precisamente, que tudo está incluído uma vez que você faz o check in e recebe uma algema pulseirinha colorida. Tudo já foi pago. Agora é só revidar desfrutar. Então eu estive lá e vi, ao longo de uma semana inteira, a classe média brasileira indo ao paraíso. E refestelando-se. Quem estava acostumado a porções contadinhas, experimentando a abundância sem fim. Uma coisa tocante, bonita de ver.
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quinta-feira, 28 de janeiro de 2010 -
17:42
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Último comentário por
José Ewerton Santos Filho :
Alguns textos dos BLOGS de exame são verdadeiras obras de arte.
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Eu adoro esse verso do Gil, que tantas sínteses ótimas cunhou em suas letras. (Ele não é muito reconhecido por isso. Outro reconhecimento que não se faz ao Gil: ninguém verteu tantas músicas estrangeiras para o português em versões tão bacanas quanto ele. Mas divago.) Nesse verão, me permiti gozar as melhores férias da minha vida. Mantive sob controle, tanto quanto possível, aquele Adriano afogueado que apresentei ontem aqui, e me dediquei a curtir um mês inteiro de férias inesquecíveis com minha mulher e meus filhos. Ou talvez, como diria aquela psicóloga amiga minha, talvez a maior especialista em ansiedade do Brasil (se quiser o telefone dela é só pedir), eu tenha feito exatamente o contrário: perdi o controle. Me perdi dele. Deixei de controlar. De me controlar, de tentar manter tudo tão sob controle, perfeitamente organizado, mentalmente arrumadinho. Me entreguei ao gozo de algumas horas improdutivas (no sentido mais estreito do termo, reconheço). E vivi um pouco. Leia mais »
quarta-feira, 27 de janeiro de 2010 -
16:04
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Amigo e amiga ingênuos. É hora de retomar o Blog com o pé no fundo. O ritmo de férias fica para trás e você pode contar novamente com a nossa velha e boa combinação de um post novo todo dia. Agora, aqui, neste endereço novo. Para comentar, será preciso ter um cadastro no Passaporte Abril. Se você for assinante da casa, já possui o código necessário para acessar o sistema de comentários. Se não for assinante, basta preencher um pequeno cadastro aqui mesmo para obter seus login e senha e comentar à vontade. Espero você. Estava com muita saudade. Sem você não tem graça. Não esqueça também de me visitar no Twitter e divulgar o blog sempre que gostar de algum post. Abraços!
terça-feira, 26 de janeiro de 2010 -
22:53
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Adoro aquele slogan que diz “Hard work, hard fun”. Ou seja: trabalhe duro e se divirta para valer. Infelizmente, ao menos no que me concerne, ele funciona mais para a ética do trabalho puritana e anglo saxã, do que para a ética do trabalho católica e latina. Imagino os novaiorquinos apolíneos se atirando sem culpa nos braços de Adônis assim que o expediente termina, qualquer que seja a hora em que isso acontece. Com muito mais facilidade do que os paulistanos hardworkers, para quem talvez não seja tão fácil deixar a cair a caneta e levantar o caneco. Mas provavelmente estou apenas generalizando uma dificuldade pessoal minha. Eu, confesso, sempre sinto uma certa dose de culpa por estar me divertindo. Sempre acho que podia estar ralando um pouquinho mais.
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terça-feira, 26 de janeiro de 2010 -
17:36
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