Boa parte das empresas que possuem ações negociadas na Bolsa de Nova York sofreu um forte impacto da taxação dos investidores estrangeiros com o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) de 2%. A medida foi implementada pelo governo há um mês.
A corretora Link investimentos analisou quais foram os reflexos da alíquota nos volumes de ações e derivativos da bolsa. O principal fator constatado foi a forte migração para negociação de ADRs (recibos de ações de empresas estrangeiras negociados na Bolsa de Nova York) de papéis de empresas brasileiras na bolsa americana a fim de evitar a taxação. Para as empresas que possuem listagem dupla, o volume de ADRs aumentou 16,2% depois do IOF, enquanto as ações negociadas na Bovespa avançaram apenas 10,7%, segundo estudo da Link.
Uma das empresas mais afetadas pela taxação foi a TAM, com um aumento de 51,9% sobre as operações ADRs e um recuo de 12,4% referente aos negócios na bolsa brasileira. No total, oito companhias tiveram forte migração de negócios: Aracruz, Brasil Telecom S.A., Brasil Foods, Companhias Brasileira de Distribuição (Pão de Açúcar), Copel, Eletrobrás, TIM Participações e Ultrapar. (Veja tabela abaixo).
De acordo com a Link, as ofertas de ações que ocorreram após a medida (Cetip, Marfrig e Direcional Engenharia) foram prejudicadas, uma vez que o investidor estrangeiro provavelmente considerou o custo de 2% na entrada de seus recursos no país.
No entanto, mesmo com a transição para ADRs, a corretora ressalta, em relatório, que o volume de negócios da Bovespa não sofreu queda.
Para conter a migração, o governo decidiu taxar, na semana passada, com alíquota de 1,5 % as ADRs. De acordo com a Link, o único ponto negativo desta medida é em relação as empresas que estavam cogitando criar um programa de ADRs, como é o caso da Lupatech, ou realizar oferta pública de ADRs, como o Banco do Brasil. Essas listagens provavelmente serão prejudicidas assim como aconteceu com os IPOs da Cetip ou da Direcional no Brasil.
| Análise dos volumes de ADRs e ações na Bovespa | ||||
Variação do volume (%) | ||||
| Empresa | ADR | Ação | ADR | Ação |
| Ambev | ABVC | AMBV3 | -45% | -30,10% |
| Ambev | ABVC | AMBV4 | 62,50% | 70,40% |
| Aracruz Celulose | ARA | ARCZ6 | 65,30% | 16,30% |
| Banco Bradesco | BBD | BBDC4 | 24,80% | -7,90% |
| Banco Santander | BSBR | SANB11 | -51,10% | -58,20% |
| Brasil Telecom Participações | BRP | BRTP4 | 56,10% | 71,90% |
| Brasil Telcom | BTM | BRTO4 | 116,30% | 39,90% |
| Braskem | BAK | BRKM5 | 4,80% | 9,50% |
| BRF Brasil Foods | PDA | PRGA3 | 65,50% | -6,40% |
| Companhia Brasileira de Distribuição | CBD | PCARS | 38,40% | -22,90% |
| Cemig | CIG | CMIG4 | 17,80% | -16,10% |
| Cemig | CIGC | CMIG3 | -39,90% | -19,00% |
| Copel | ELP | CPLE6 | 41,50% | -7,40% |
| Companhia Siderúrgica Nacional | SID | CSNA3 | 25,70% | 18,40% |
| Cosan Limited | CZZ | CZLT11 | 7,70% | 135,20% |
| CPFL Energia | CPL | CPFE3 | 27,90% | 0,80% |
| Eletrobras | EBR | ELET3 | 107,10% | -14,30% |
| Eletrobras | ERBP | ELET6 | 15,70% | 5,30% |
| Embraer | ERJ | EMBR3 | 21,07% | 8,60% |
| Gafisa | GFA | GFSA3 | 13,30% | -7,30% |
| Gerdau | GGB | GGBR4 | 24,30% | 0,30% |
| Gol | GOL | GOLL4 | 4,10% | 7,40% |
| Itaú Unibanco | ITUB | ITUB4 | 23,60% | -5,10% |
| NET | NETC | NETC4 | 20,40% | -6,60% |
| Petrobras | PBR | PETR3 | 9,70% | 9,70% |
| Petrobras | PBRA | PETR4 | 6,40% | 25,20% |
| Sabesp | SBS | SBSP3 | 25,70% | 7,10% |
| TAM | TAM | TAMM4 | 51,90% | -12,40% |
| Tele Norte Leste Participações | TNE | TNPL4 | 3% | 8,90% |
| Telesp | TSP | TLPP4 | -22,40% | -21,00% |
| Telebras | TBH | TELB4 | -50,60% | 13,20% |
| Tim | TSU | TCSL4 | 72,70% | 9,30% |
| Ultrapar Participações | UGP | UGPA4 | 217,00% | 11,60% |
| Vale | VALE | VALE3 | 28,00% | 20,70% |
| Vale | VALE.P | VALE5 | 38,40% | 46,50% |
| Vivo Participações | VIV | VIVO4 | 3,50% | -1,50% |
| Votorantim Celulose e Papel | VCP | VCPA3 | 58,20% | 27,10% |
| Variação total | 16,20% | 10,70% | ||
| Fonte: Bloomberg e Link Investimentos | ||||