EXAME
Em um momento de escalada mundial dos preços de alimentos, a China quer incentivar seus agricultores a comprarem terras no exterior para assegurar a oferta de produtos. De acordo com o jornal britânico Financial Times, Pequim já mantém contatos com o Brasil para adquirir áreas para o plantio de soja. A busca chinesa por terras concentra-se na América Latina e na África.
A proposta foi esboçada pelo Ministério da Agricultura e pretende transformar a compra de terras estrangeiras numa peça central da política de governo. A idéia foi inspirada nos países do Oriente Médio, ricos em petróleo mas carentes de áreas cultiváveis. A Líbia, por exemplo, negocia terras com a Ucrânia.
Segundo o FT, a China está perdendo a auto-suficiência na produção de gêneros alimentícios. Entre os fatores, está a expansão da renda da população, que muda o perfil de consumo e eleva a demanda por carne, por exemplo. O jornal informa que a China possui 40% do total de agricultores do mundo, mas apenas 9% das terras aráveis do planeta. No primeiro trimestre, o preço dos alimentos subiu 25% no país em relação ao mesmo período do ano anterior.
O país continua como exportador líquido de commodities agrícolas. No ano passado, porém, os chineses já importaram mais de 60% da soja consumida, e, em breve, devem se tornar importadores líquidos de milho.
Representantes do governo acreditam que não haverá problemas para implantar a política de apoio à compra de terras no exterior. O principal receio, contudo, é que o programa enfrente uma forte oposição dos demais países, diante da inflação dos alimentos e do temor de desmatamento.

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