Santander avalia boas e más ideias para segurar o dólar

Banco defende a liberalização do mercado de câmbio para que todos os brasileiros possam ajudar o BC a enxugar o excesso de dólares
 
| 11.11.2009 | 7h52

As recentes medidas do governo para conter a sobrevalorização do real - dentre as quais está o controverso retorno do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), que taxa em 2% as aplicações estrangeiras em bolsa e título públicos - parece ter interrompido apenas momentaneamente o movimento mundial de queda do dólar.

No mercado, há uma desconfiança quase generalizada de que a desvalorização da moeda americana possa ser retomada logo e de forma intensa, principalmente em 2010, caso novas medidas não sejam implementadas. O problema, segundo economistas do Banco Santander, é que o governo poderia trilhar dois caminhos diferentes para segurar a valorização do real, mas apenas um seria realmente promissor.

As idéias “mais infelizes”, segundo a equipe do Santander, seguem na direção de aumentar as reservas em moeda estrangeira. Há pelo menos duas formas pelas quais o governo poderia atingir esse objetivo. Uma delas seria dar maior liberdade ao Tesouro Nacional para comprar, antecipadamente e sem limite de prazo, dólares no mercado para o pagamento de dívida externa (hoje a aquisição está limitada a débitos com vencimento em até 360 dias). Outra seria a retomada da emissão de títulos da dívida pública no mercado internacional em reais.

Os analistas explicam que, em se tratando câmbio, as duas ideias não têm nenhum efeito diferente daquele obtido pela política atual de compras de dólar pelo Banco Central ou operações de swap reverso. No fundo, representam apenas o acúmulo de ativos em moeda estrangeira, que rendem pouco, com contrapartida em passivos denominados em reais, bem mais caros.

Em uma direção “mais promissora”, existem propostas de liberalização do mercado de câmbio. Entre elas, estão a autorização para que os fundos de investimentos possam destinar até 10% do 1,3 trilhão de reais em patrimônio para aplicações no exterior, liberdade para os bancos comprarem ativos financeiros fora do país e permissão para que os brasileiros possam ter contas em dólares. As medidas, de acordo com os analistas, poderiam aumentar a demanda por moeda estrangeira e tirar da autoridade monetária parte do ônus associado ao aumento das reservas.  (Continua)




 
 
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