O aumento da volatilidade nas bolsas mundiais nos últimos dias dá uma ideia clara das dúvidas do mercado sobre a recuperação da economia mundial. Outubro só não foi um mês pior para os investidores porque o crescimento anualizado de 3,5% para o PIB dos Estados Unidos no terceiro trimestre superou as expectativas e indicou o fim da recessão.
A saída de 3,5 bilhões de reais em investimentos estrangeiros na BM&FBovespa na última quinzena, no entanto, mostra como a situação se deteriorou. Entre piores indicadores de outubro estão a queda do índice de confiança da Universidade de Michigan e a continuidade do fechamento de postos de trabalho nos EUA.
Os bancos americanos e europeus também deram novos sinais de fraqueza. Somente neste ano 115 pequenos e médios bancos quebraram nos EUA. Além disso, o CIT Group, um dos líderes em empréstimos para pequenas e médias empresas no pai´s, pediu concordata. Já o governo do Reino Unido teve de injetar mais 51 bilhões de dólares no Lloyds e no RBS, dois dos maiores bancos do país.
Além disso, o Brasil, que até agora era fonte de alegrias para os investidores, também contribuiu com notícias negativas. Para a corretora SLW, ao estabelecer o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre os investimentos estrangeiros em renda fixa e na Bovespa, “aparentemente o governo conseguiu estragar a festa”.
Como a medida não deve ser suficiente para conter a continuidade da queda do dólar, o mercado começou a especular se novas medidas pouco amigáveis ao mercado estão por vir. Para a corretora Socopa, “é possível, mas não provável, que novas medidas do governo na tentativa de controlar o câmbio tragam turbulências aos mercados.”
Diante desse cenário, a interpretação da corretora XP é que "daqui para frente o mercado estará cada vez mais em dúvida quanto à continuidade da recuperação econômica nos países centrais". Por esse motivo, cada dado ou indicador econômico relevante será recebido com muita calma. (Continua)