"Não há acionista que possa reclamar da compra da Klabin Segall"

Para o novo presidente da construtora, venda para Agra e Veremonte trará ganhos para os investidores
 
Por Francine De Lorenzo | 18.08.2009 | 09h27

Foram quatro meses de negociações até que a incorporadora Agra e a Veremonte, empresa de investimentos do empresário espanhol Enrique Bañuelos, chegassem a um acordo com os credores da Klabin Segall para assumir o controle da companhia. Propondo um reajuste de taxas - pequeno, segundo a Agra - em troca de prazos mais longos, a companhia e a Veremonte fecharam o acordo que lhes garantiu 58% da Klabin Segall.

Já nessa segunda-feira (17/8), como antecipou EXAME, Fernando Albuquerque, um dos sócios da Agra, assumiu a presidência Klabin Segall. Em entrevista ao Portal EXAME, Albuquerque destacou que o negócio foi muito interessante para os investidores, tanto os da Agra quanto os da Klabin Segall. "Não há acionista que possa reclamar da operação", diz.

Quando a compra da construtora foi anunciada, em abril deste ano, as ações da Klabin Segall acumulavam queda de 23% no ano, sendo cotadas a 1,80 real, depois de já terem perdido mais de 80% de seu valor em 2008. A companhia passava por uma delicada situação financeira em decorrência da crise global, somando uma dívida de mais de 500 milhões de reais - o dobro da registrada um ano antes e valor superior ao patrimônio líquido da empresa. Com a venda para a Agra e a Veremonte, a Klabin Segall receberia um reforço de caixa de 100 milhões de reais, além de outros 355 milhões de reais em ativos imobiliários.

O negócio, na avaliação da corretora Fator, seria bom para a empresa no longo prazo, mas prejudicaria os minoritários. Além de não ter o direito de retirada (que garante o reembolso do valor das ações quando há discordância quanto às deliberações da Assembléia de Acionistas), os minoritários teriam sua participação na construtora diluída em cerca de 36%, segundo cálculos realizados em julho. A saída dos antigos controladores da Klabin Segall também reduziria o free float (percentual de ações no mercado) de 63% para 27%, impactando na liquidez do papel na bolsa.



 

 

 
 
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